Curso online traz orientações para processos de acolhimento na escola

crianças de mãos dadas formando dois caracóis/ rodas

Diante de aumento de ansiedade entre estudantes, Vivescer lança curso online gratuito sobre estratégias e ferramentas para promover acolhimento 

Ansiedade, estresse, automutilação, dificuldade de concentração e aprendizado, violência e conflitos em excesso são apenas algumas questões que gestores escolares pelo Brasil inteiro estão enfrentando com a retomada das aulas presenciais depois de dois anos de alunos em casa. De acordo com um levantamento divulgado em abril pela Secretaria da Educação de São Paulo, 443 mil dos 642 mil estudantes da rede estadual – equivalente a 69% – enfrentam sintomas relacionados à depressão e ansiedade. 33% afirmaram ter dificuldade para se concentrar. 

Para Ana Flávia Castanho, mestre em psicologia escolar e coordenadora pedagógica da Vivescer, nenhuma dessas questões têm soluções simples e pontuais. “Para pensar os desafios atuais da educação, é necessário exercitar o olhar em múltiplas perspectivas, entendendo que cada uma delas vai contribuir para uma maior compreensão das dinâmicas de sala de aula e para a construção de estratégias ajustadas às necessidades de alunos e professores”, explica. Uma das perspectivas às quais Ana Flávia se refere é o acolhimento. 

Acolhimento

Ainda durante a pandemia, inúmeros especialistas, estudiosos e profissionais da educação já alertavam sobre a impossibilidade de retomar as aulas sem um momento reservado a rodas de conversa, atividades e debates não só com os estudantes, mas também com os adultos que compõem o quadro de funcionários e corpo docente das escolas, como exemplifica o guia Orientações de Acolhimento para Professores, do Instituto Península (saiba mais). 

Segundo Ana Flávia, acolher e ser acolhido representam duas faces de uma atividade humana fundamental, que permite a construção de relações de pertencimento e de sentido a partir de saberes compartilhados em grupo. “O acolhimento envolve dinâmicas de conexão e reafirmação de laços afetivos e sociais, pela escuta e pelo diálogo, que resultam em um espaço de pertencimento mútuo para o convívio”, explica. 

A ideia, segundo a coordenadora, é que a partir de atividades de acolhimento, com realização de reflexões e uso de ferramentas de intervenção educativa, as aulas sejam transformadas em espaço de pertencimento, cooperação e aprendizagem, favorecendo uma cultura escolar de acolhimento. 

Isso passa, por exemplo, pela atenção às individualidades de cada estudante, com sua história, experiências e integralidade enquanto seres humanos. “Não é possível deixar dores, exclusões e sofrimentos, nas suas diferentes formas, fora da escola.” O desafio, portanto, é unir esses dois mundos da escola e dos alunos e criar um clima e cultura de acolhimento que favoreçam que crianças e jovens reais possam se sentir seguros e, com isso, aprendam gradativamente, desenvolvimento competências e habilidades para se relacionar de forma positiva e crítica com o contexto em que vivem. 

Formação de profissionais

Pensando na importância dos processos de acolhimento acontecerem de forma contínua nas escolas de todo o Brasil, a Vivescer vai promover o curso online “Acolhimento e Bem-estar na Sala de Aula”. 

A ideia é dar apoio aos educadores a partir da melhoria da conexão com seus alunos. Com isso, espera-se contribuir com a criação de um ambiente de acolhimento e diálogo respeitoso e na melhoria do processo de aprendizagem. 

“A proposta do curso é ferramentar o professor para construir com seus alunos uma cultura escolar de acolhimento e de bem-estar”, explica Ana Flávia. Essa mudança cultural, entretanto, não acontece de forma automática ou com atividades pontuais, mas sim ao longo de diferentes propostas desenvolvidas ao longo do tempo. “Vivenciar essa cultura de acolhimento potencializa aprendizagens e reafirma o papel da escola.” 

Por mais que a realidade das escolas brasileiras seja diferente a depender de cada contexto e localização, existem ferramentas comuns que podem ajudar na rotina dos educadores, como diários de aprendizagem, assembleias na sala de aula, feedback (retorno avaliativo) construtivo, rodas de conversa, entre outras que serão apresentadas durante a formação. 

Com 40 horas de duração, o curso terá 26 atividades divididas em quatro módulos: A cultura escolar de acolhimento; Roda de conversa e feedback; Ferramentas para uma cultura de acolhimento; e Clima escolar: acolhimento e bem-estar. 

Saiba mais!

Todos os conteúdos apresentados pela formação estão alinhados com as diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o Novo Ensino Médio. 

Ao final das atividades, os participantes serão convidados a responder uma avaliação que lhes dará direito a um certificado.

A participação no curso “Acolhimento e Bem-estar na Sala de Aula” é gratuita. Inscreva-se AQUI!

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado.