Pesquisas mostram as percepções de professores e alunos sobre o ano letivo de 2020

Com 2020 chegando ao fim, já é possível entender com mais clareza o que significou esse ano letivo atípico para a comunidade escolar em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19).

Com professores sobrecarregados e alunos com problemas de acesso à internet e computadores, a experiência de aulas remotas mexeu muito com o emocional e demandou que todos aprendessem rápido a lidar com plataformas digitais que não eram usadas de forma constante em anos anteriores.

Só que o período de fechamento das escolas foi maior que o esperado e muitos alunos têm demonstrado a desmotivação com os estudos. Uma série de pesquisas recentes, com a participação de estudantes, educadores e gestores, resumem o que é ensinar e aprender longe da escola.

 

Professores preocupados
Voltar à sala de aula é motivo de preocupação para a maior parte dos educadores. A pesquisa “Sentimentos e Percepção dos Professores Brasileiros nos Diferentes Estágios do Coronavírus no Brasil”, do Instituto Península, realizada entre julho e agosto mostrou que, numa escala de 0 a 5, em que zero é nada confortável e cinco muito confortável, a média do nível de conforto de professores das redes privada, estadual e municipal em relação a volta às aulas é de 1,07.

Entre as maiores preocupações dos docentes, estão: o funcionamento escolar em condições sanitárias adequadas para que se evite a disseminação do coronavírus (86%), lidar com o receio da contaminação do coronavírus (83%) e recuperar a aprendizagem perdida dos estudantes com a retomada das aulas presenciais (67%).

Quando perguntados sobre os apoios mais necessários na volta às aulas, orientações para lidar com os protocolos de retorno e questões de saúde (73%), assim como apoio para dar suporte emocional para os alunos (68%) e, finalmente, receber atendimento emocional para si (56%) são os mais citados.

 

Fatores que dificultam o acesso
Enquanto as aulas remotas continuam, o estudo Painel TIC COVID-19, divulgado em novembro pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), reitera a dificuldade de conexão por parte dos alunos, que nas classes mais pobres adotam o celular para acompanhar as aulas, o que já limita a possibilidade de produzir conteúdos ou de acompanhar aulas mais diversificadas. No entanto, chama a atenção para outros fatores que interferem na rotina do estudante, como a crise financeira.

Com a renda familiar comprometida, entrevistados citam a necessidade de buscar emprego (56%); de cuidar da casa, dos irmãos, filhos ou de outros parentes (48%). Longe do convívio social que escolas e universidades proporcionam, 45% também disseram que não acompanham aulas por falta de motivação.

 

Estudantes desmotivados
Ainda sobre a desconexão com os estudos, a pesquisa  “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, promovida pelo CONJUVE (Conselho Nacional da Juventude), alerta que essa falta de engajamento pode trazer prejuízos para além da vida escolar. Em junho, quase 30% dos jovens pensavam em deixar a escola e, entre os que planejavam fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), 49% já pensavam em desistir.

Divulgada também em novembro, uma quarta onda da pesquisa Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures também alerta que 54% estão desmotivados, mesmo em uma situação em que 92% dispõem de materiais didáticos (uma alta expressiva em relação a maio, quando 74% acessavam recursos pedagógicos)

O mesmo estudo apontou que diante de todas as dificuldades enfrentadas pelos alunos,  51% das famílias consideram que estão participando mais da educação dos estudantes, no período da pandemia. Além disso, uma outra boa notícia, 71% dos responsáveis pelos estudantes reconhecem e estão valorizando mais o trabalho desenvolvido pelos professores.

 

 

Foto: jcomp/Freepik