A importância da sensibilidade e o autoconhecimento como fonte de inspiração para professores

A importância da sensibilidade e o autoconhecimento como fonte de inspiração para professores“Com o socioemocional Quase sempre revirado, O valente educador Tem ficado atribulado. Tem feito de tudo um pouco, Tem vivido no sufoco, E muitas vezes, calado.” Esse é um trecho de um cordel escrito por José Gilson Lopes Franco, um dos professores embaixadores da Vivescer.

Especialista no ensino da Língua Portuguesa, Gilson comenta que conhecer a plataforma foi como um divisor de águas em sua vida, mudando a forma como se relaciona tanto no ambiente de trabalho como com sua família. “A Vivescer chama atenção para a importância dos professores e do trabalho com a emoção, além da necessidade de estarmos bem consigo mesmo para estar bem com o outro. O professor que está bem interiormente é capaz de coisas incríveis.”

Assim como muitos outros educadores que navegam pelas jornadas e trajetos propostos na plataforma, Gilson tomou conhecimento da ferramenta por indicação de outros dois colegas embaixadores que, como ele, integram um coletivo de professores do Brasil no Facebook. “A professora Rita Vasconcelos, com quem eu tinha contato, me indicou a plataforma e contou que a jornada emoções foi a que mais tinha gostado.”

Essa é uma frase comum entre diversos professores embaixadores da Vivescer. Eles afirmam que, até conhecer a proposta da ferramenta de realmente olhar para dentro de si e analisar seus sentimentos, muito passava despercebido. Gilson também começou seus trabalhos pela jornada emoções e, para ele, que é poeta e cordelista, o caminho para o autoconhecimento foi ainda mais especial.

“Nós vamos vivendo meio no automático, cumprindo nossas obrigações e afazeres, sem tempo para observar como é importante estar bem consigo mesmo. Há muito tempo que não encontrava razões para escrever. Mas passar por essa jornada me fez olhar para dentro de mim e, a partir de um olhar de sensibilidade, voltar a escrever. Só nesse ano, produzi de 30 a 40 cordéis”, explica o educador.

Para ele, além dos ensinamentos, a Vivescer oferece um espaço para que professores de todo o Brasil possam estabelecer uma ligação de qualidade entre si, em conexões sensíveis, acolhedoras e que priorizam o olhar sobre esses profissionais a partir de seu lado mais sensível.

O professor além da sala de aula
Para Gilson, um dos pontos altos da plataforma é que, ao trabalhar o professor em diferentes dimensões, os ensinamentos reverberam para além do profissional, como em sua prática na sala de aula com os estudantes, com os colegas de profissão e também fora do âmbito da escola.

“Antes da Vivescer, eu já fazia uso de algumas estratégias voltadas ao socioemocional, mas era sem muito estudo e formação. A plataforma trouxe isso, e os ensinamentos não são pontuais. As jornadas mexem com o íntimo da gente, e há um contato permanente entre os professores cadastrados. Essa conexão empodera muita gente”, explica.

Essa autopercepção levou o educador a tomar mais do seu tempo para reparar ao redor e fazer ajustes que, mesmo pontuais, surtem grandes e importantes efeitos. Observando que os alunos esperavam muito tempo para encontrar um lugar no refeitório na hora do almoço, Gilson passou a fazer esse horário em sala de aula, o que, segundo o professor, gerou emoção e valor entre os estudantes.

“Eu quero ser reconhecido e lembrado como alguém que foi capaz de amar os seus alunos, alguém que foi capaz de propor almoços, que foi capaz de abrir mão do seu planejamento para jogar uma partida de voleibol na quadra, de futebol. Uma pessoa capaz de abrir mão do seu intervalo para ficar com eles. Nós não temos noção do quanto isso empodera as crianças”, comenta o educador.

Trecho do cordel “Os desafios do professor em tempos de pandemia e a importância do autocuidado”.

Tem uma íntima ligação
Do que o professor sente
Com o momento que vivemos,
Pois é tudo diferente.
Em tempos de pandemia,
Que abalam a nossa alegria,
Tudo ocorreu de repente.

Com o socioemocional
Quase sempre revirado,
O valente educador
Tem ficado atribulado.
Tem feito de tudo um pouco,
Tem vivido no sufoco,
E muitas vezes, calado.

Cobranças de toda parte
Se dirigem ao professor,
Que com a cabeça erguida
Demonstra o seu valor.
Nunca se dá por vencido;
É ousado e atrevido,
É, de fato, um sonhador.

A aula foi transferida
Para a sala de estar.
O modelo agora é outro,
Tivemos que adaptar:
Por vezes, aulas gravadas,
Remotas, mas planejadas;
Outras formas de ensinar.

Estimado professor,
Adorável professora:
Vocês são a esperança
De uma nação promissora,
Depositando uma semente,
Crendo muito firmemente
Na escola transformadora.

 

A sensibilidade como forma de resistência
Gilson comenta que dedicou-se inteiramente à jornada emoções, sem deixar nenhum conteúdo sem ser visto nos mínimos detalhes. Para ele, essa dedicação trouxe novas descobertas a cada exploração. “Eu chorei para lavar a alma mesmo. Pude olhar para dentro de mim, perceber como sou importante, quem eu sou, e assim, melhorar para o meu aluno e para a minha família.”

Enquanto docente, ele comenta que é necessário ir além do que a profissão pede. “De vez em quando, temos que fazer alguns atrevimentos. Temos que ter muita criatividade, mas também muita paixão para se manter animado, com a narrativa sempre otimista e alto astral, porque realmente não é fácil.”

Apesar dos desafios, ele vê na comunidade de professores um refúgio, onde pode recarregar as energias e se inspirar com as trajetórias e vivências dos colegas. “O professor embaixador da Vivescer tem que ter esse perfil. É o cara que traz conhecimento, serenidade, que tem uma fala mansa e acolhedora, mas também é sensível, criativo, apaixonado. Não é por acaso que professores incríveis estão na Vivescer. Eles são capazes de mudar uma escola e toda uma região.”

Gilson completa afirmando que, nesse momento, a função desses atores é mostrar para outros profissionais da educação a importância da sensibilidade e da capacidade de amar, entendendo que a educação tem desafios, mas que existe beleza em ser educador.

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José Gilson Lopes Franco é licenciado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará, especialista em ensino da Língua Portuguesa, professor de Língua Portuguesa na Rede Pública Municipal de Fortaleza (CE), coordenador da Rede Conectando Saberes, apoiada pela Fundação Lemann, poeta e cordelista. Está na educação pública há 15 anos e, atualmente, é professor de Língua Portuguesa de turmas do Ensino Fundamental 2 na Escola Municipal de Tempo Integral Prof. Ademar Nunes Batista, em Fortaleza.