Circuito Pequena África no Rio de Janeiro: escola faz viagem pedagógica às nossas matrizes raciais 

A atividade teve como objetivo sensibilizar os alunos a respeito das diferentes matrizes raciais que compõem o nosso país  

Desde o início do segundo semestre de 2023, um projeto colaborativo denominado  “(En)Cantos Raciais” tem sido desenvolvido na EEEFM Angélica Paixão, em Guarapari (ES), com o objetivo de promover uma educação antirracista. Inspirados no Caderno Orientador para a Educação das Relações Étnico-Raciais no Espírito Santo, foram realizadas diversas atividades envolvendo diferentes componentes curriculares. 

A culminância desse projeto nasceu quando o pedagogo Marcio Bernardino propôs aos alunos uma viagem pedagógica ao Rio de Janeiro (RJ) para explorar o circuito conhecido como “Pequena África”, localizado na região portuária da cidade. Segundo o professor, ‘’a intenção era sensibilizar os estudantes em relação às matrizes raciais que compõem a identidade brasileira’’. 

Partindo de Guarapari (ES), a viagem teve início às 23h do dia 17 de novembro, chegando ao Largo da Carioca, centro do RJ, às 8h da manhã do dia 18 de novembro. Após uma breve parada na Confeitaria Manon Ouvidor, no centro histórico do Rio de Janeiro, para desfrutar de um café e afetos, a jornada começou. 

De antemão, os alunos foram divididos em grupos, cada um acompanhado por um professor. A caminhada em direção ao circuito Pequena África começou no Largo de São Francisco da Prainha, também conhecido como ‘’Bafo’’ da Prainha, onde os alunos puderam apreciar obras de arte nos muros e conhecer a estátua de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A jornada seguiu até a Pedra do Sal, um monumento histórico e religioso no bairro da Saúde, local onde, até os dias atuais, acontecem rodas de samba.

A próxima parada foi no Cais do Valongo, local que recebeu milhões de africanos escravizados e hoje é um espaço de celebração da herança africana. Nesse momento, a professora de história aproveitou para contextualizar os alunos explicando a importância do local como Patrimônio Cultural pela Unesco. Em seguida, o grupo visitou o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, um sítio arqueológico que preserva o patrimônio africano e afro-brasileiro. 

O circuito Pequena África culminou no MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, um espaço dedicado a contar a história da região que testemunhou o maior desembarque de africanos escravizados no mundo.  

Foto: arquivo pessoal do professor

Após o circuito, os participantes almoçaram e aproveitaram movimentos formativos e culturais adicionais na Praça Paris, Marina da Glória, Memorial Getúlio Vargas, Praia do Flamengo e Praia de Botafogo. 

A viagem encerrou com uma visita à Lapa, passando pela Sala Cecília Meireles e pela Escadaria Selarón, uma obra arquitetônica decorada pelo chileno Jorge Selarón com azulejos. Após esse extenso percurso cultural, os participantes retornaram a Guarapari, felizes pela oportunidade de explorar o Rio de Janeiro e valorizar as diversas contribuições das matrizes africanas para a sociedade. 

Para o professor, ‘’a atividade, por si só, trouxe aos alunos diversas experiências relacionadas com diferentes dimensões formadoras que lhes constituem enquanto sujeito’’, finalizou.  

E aí, professor(a), o que achou da atividade? Deixe o seu comentário!

Respostas

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  1. É uma atividade enriquecedora… O Rio de Janeiro guarda muitos acontecimentos importantes de nossa história… Ter a oportunidade de conhecer cada local é maravilhoso…
    Parabéns pela iniciativa.

  2. Parabenizo aos professores pela iniciativa do projeto e reintero a grande contribuição para formação da identidade destes alunos e o reconhecimento do valor cultural destes locais visitados. Ótimo projeto, ótima iniciativa, e, que não parem aí… Abraços!

  3. Bom dia!
    Com certeza o projeto a atitude e a realização foi sucesso, sou Turismóloga e Pedagoga especialista em ” Turismo Pedagógico” entendo que o turismo é uma ferramenta necessária para a compreensão e enriquecimento do conhecimento, quando precisar de apoio estarei aqui a disposição, deixo meu contato para esclarecimentos e propostas, desde já agradeço a oportunidade! Parabéns pelo evento!

  4. Bom dia,
    Achei o passeio cultural muito proveitoso, uma forma muito interessante de celebrar a cultura africana e conscientizar os alunos sobre a importância de conhecer e preservar a história dos negros no Brasil.

  5. ADOREI!! Parabéns à Escola, aos Professores e toda equipe que viabilizou esse passeio, promovendo a vivência e conhecimento além dos muros da Escola. Considerando a atividade como uma ação de promover uma educação antirracista. Fortalecendo a identidade dos estudantes, valorizando as diversas origens étnico-raciais que compõem a sociedade. PARABÉNS!! Que possamos aprender a ensinar nossos estudantes!!

  6. Parabéns, Márcio e a toda equipe que o acompanhou durante a realização dessa atividade cultural.
    Essa ação possibilita aos estudantes de mergulhar na cultura afro-brasileira. Quando visualizamos e presenciamos algo que estudamos, parece que a formação crítica de opinião se concretiza de forma reflexiva.

  7. Muito inspirador. Mostrar as nossas matrizes africanas minimiza os grandes desafios diante do preconceito que é tão marcante, ainda, em nosso país. Parabéns aos idealizadores do projeto!

  8. Trabalho maravilhoso, gratificante. É necessário levar nossos alunos a conhecer a história em aula campo. Que pena que não temos apoio financeiro. Muitas vezes, nem livros didático para todos os alunos.

  9. Sem dúvidas um momento de construção de conhecimentos…representa um marco na carreira estudantil desses jovens estudantes. Parabéns aos envolvidos e idealizadores desse momento único. Meu abraço afetuoso

  10. Atividade muito significativa. Pena que não temos condições de promover uma ação dessas em todas as escolas, principalmente as públicas de cidades que não possuem tantos recursos…

  11. Muito interessante e necessária para um conhecimento através da prática e respeito das matrizes raciais .