Explore o potencial pedagógico do folclore e valorize a cultura popular em sala de aula

Dia do Folclore fortalece a preservação da cultura popular, e as escolas cumprem papel fundamental para isso 

Saci-pererê, boto-cor-de-rosa, curupira, mula sem cabeça… o folclore brasileiro é tão rico que esses personagens representam apenas a porta de entrada para um universo repleto de histórias, figuras, músicas, danças e outras manifestações artísticas que compõem a diversidade da cultura popular brasileira.

No dia 22 de agosto, comemora-se o Dia do Folclore. Celebrada desde 1965, a data tem a intenção de fortalecer a preservação da cultura popular no país. E as escolas cumprem um papel fundamental para que esse objetivo seja atingido.

“O folclore faz parte dos conhecimentos que os estudantes precisam ter acesso, por meio de práticas que os permitam construir identidade coletiva com liberdade para inferir sobre ela e, como consequência, mobilizar a cultura, visto que a mesma está em contínuo movimento”, afirma Paula Sestari, professora de educação infantil em Joinville (SC) e vencedora do prêmio Educador Nota 10 em 2014. Segundo ela, o acesso aos bens culturais e ao patrimônio empírico e científico de nossos antecessores deve ser considerado um direito das crianças e dos jovens.

Ela argumenta que, desde pequenos, os estudantes têm a capacidade de criar interpretações, realizar análises e articular saberes com seu repertório social e cultural. “O potencial pedagógico do folclore se encontra na perspectiva do reconhecimento dos saberes compartilhados socialmente e na possibilidade de ressignificá-los por meio da imaginação”, destaca a educadora.

Muito mais do que trabalhar com lendas e mitos tidos como tradicionais do folclore brasileiro, os professores podem fazer da cultura regional uma grande aliada no processo educacional. “Ao trazer questões do folclore nacional e, não menos importante, do folclore regional por meio dos saberes próximos e cotidianos, é preciso dar espaço e tempo para que eles construam suas próprias elaborações em rodas de histórias, situações brincantes, escuta de membros da comunidade com seus saberes tácitos (não expresso em palavras).”

Folclore: tesouro da humanidade

No folclore, a cultura popular tem variações regionais e assume diversas formas. Uma delas é o provérbio – conhecido também como ditado popular. São ensinamentos passados de geração em geração que, por sua vez, tem imenso potencial didático, envolvendo habilidades como leitura e interpretação de texto. 

“Pensando na cultura do povo, se levarmos em conta apenas formas literárias populares, estamos diante de um tesouro da humanidade, de inteligência e sensibilidade construído cumulativamente, de maneira coletiva, ao longo dos séculos”, observa o escritor e ilustrador Ricardo Azevedo, pesquisador de cultura popular. 

Para além dos ditados, ele cita formatos como contos, quadras, adivinhas, frases feitas, parlendas e literatura de cordel, que “tratam dos assuntos que mais tememos e dos assuntos que mais desejamos. Tudo isso de forma concisa, ou seja, um enredo complexo tratado de maneira enxuta e direta, a partir de uma linguagem acessível a doutores, analfabetos, ricos, pobres, adultos, jovens e crianças”.

Identidade cultural e respeito às diversidades

As narrativas folclóricas também estimulam o interesse pela fauna e flora, pelas palavras da língua materna e por elementos históricos, geográficos e da formação social do país. Dessa forma, o folclore ajuda os estudantes a estabelecerem uma identidade cultural com o seu país e se conectarem com as suas próprias origens.

“Muitas crianças são filhas de pais ou avós semianalfabetos ou analfabetos. Quando chegam à escola, aprendem que sua família não sabe nada, pois não dominam a língua portuguesa, a matemática, a história etc. Elas podem até ser levadas a sentir vergonha de sua própria família e, em decorrência, de si mesmas. Como assim? E sua riquíssima cultura popular?”, questiona o especialista. “Quando a escola tem a competência de apresentar as formas literárias populares em sala de aula, alguns alunos podem pensar: ‘Ué! Minha avó já me contou essa história! Minha mãe sabe um monte de quadras assim! Meu pai conhece e volta e meia diz um ditado popular!’”, diz Ricardo, exaltando o folclore como ponte cultural entre as gerações.

Por fim, a exploração de temas do folclore oferece uma excelente oportunidade para ensinar o respeito à diversidade. Afinal, as lendas folclóricas narram relatos de diferentes povos e tribos, abrangendo diversas diferenças sociais e culturais. Paula defende que a escola trabalhe com a cultura popular para muito além do Dia do Folclore. 

“Todo esse potencial que envolve a língua falada, escrita e demais linguagens extravasa uma data marcada ou mês definido. As histórias, brincadeiras e outras formas de expressão cultural devem se fazer presente no cotidiano das crianças durante todo o período letivo, contextualizado com as demais práticas de pesquisa, investigação e participação nos assuntos que emergem do cotidiano e que contribuem com o seu pleno desenvolvimento”, finaliza.

Dicas para trabalhar o folclore na escola

Entre as atividades possíveis para trabalhar folclore em sala de aula estão: 

  • Contação de histórias: a prática facilita o entendimento de lendas e crenças populares, e é uma forma de demonstrar como o folclore foi repassado de geração em geração;
  • Adivinhações: sejam repassadas pela família ou pelos professores, as adivinhas nunca perdem a graça. Elas caem no gosto das crianças com facilidade por serem desafiadoras e estimulantes;
  • Cantos e danças: o repertório de estilos musicais para trabalhar em sala de aula é vasto. Além disso, é possível conectar com a dança, o canto e a consciência corporal, usando ritmos e melodias para criar atividades inovadoras;
  • Teatro/representações: dramatizações são ferramentas úteis no ensino do folclore. Interpretar os personagens das lendas ajuda na internalização de aspectos importantes da cultura brasileira; 
  • Elaboração de brinquedos: é uma maneira de ensinar sobre brincadeiras tradicionais e tornar os estudantes cocriadores desses objetos;
  • Arte e pintura: atividades que envolvam pinturas em telas, colorir e desenhar no computador aproximam os estudantes dos personagens folclóricos;
  • Debates e projetos: dividir a sala em grupos e solicitar que cada um explique um tema folclórico é uma forma de promover a aprendizagem ativa, e as respostas obtidas nesses debates podem ser transformadas em projetos maiores.

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Respostas

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  1. Muito bom o material estamos cada vez mais precisando de atividades que desenvolva o interesse dps nossos alunos em relação a família e a natureza

  2. Sou professora de Educação Infantil este ano e sempre procuro trazer a cultura popular para a dada de aula. Gostei da matéria. Obrigada!

  3. O matéria proposto muito rico e propondo atividades que o aluno seja protagonista do ensino aprendizagem de forma significativa

  4. Gostei! Foi esclarecedor e ofereceu ideias que eu estava precisando para trabalhar o assunto em sala de aula.

  5. Muito bom o material estamos cada vez mais precisando de atividades que desenvolva o interesse dos nossos alunos em relação a família e a natureza. Gostei muito , lembrando das datas comemorativa.

  6. Material de excelencia o conhecimento é sempre um ponto de partida onde nos educadores descobrimos muito sobre cada pesquisa esse material tem como objetivo nos qualificar explorando todos os conteudos.