Recesso escolar: a importância do descanso para os professores

 

Tirar um tempo para si e desconectar-se do trabalho durante o mês de julho é o mais indicado para que educadores possam desestressar e recarregar energias para um novo semestre em 2021

recesso professores

A busca por recuperar a aprendizagem de diversos temas que os alunos deveriam ter aprendido em 2020 e 2021, mas que foram prejudicados pela pandemia, pode lançar professores em uma verdadeira corrida contra o tempo. É preciso, porém, tomar cuidado para que esse cenário não se repita em julho, momento de recesso escolar.

José Clerton de Oliveira Martins, professor do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (CE) e pós-doutor em estudos do ócio, explica que, com a chegada da pandemia, a concepção de organização do tempo social foi transformada. No cenário atual, é difícil encontrar quem siga a lógica tradicional de: dormir oito horas, trabalhar oito horas e ter oito horas de tempo livre.

Estamos imersos em atividades em plataformas diversas, realização de novos planejamentos, aprendizado de novas tecnologias, preparação de aulas em novos modos de diálogo, interatividade e conectividade… Quando percebemos, as oito horas de trabalho transformaram-se em 10, 12 e até 14 horas, o que resulta em um contexto de esgotamento dos professores.

“O mundo diante das telas exige uma postura que nosso corpo está aprendendo, assim como uma familiarização do olhar muito tempo para as telas. Precisamos aprender a parar um pouco a cada 50 minutos, mas sabemos que muita gente passa muito mais tempo sem nenhuma pausa. É uma exaustão física e mental, muito maior e com mais tensão do que tínhamos antes. O professor está cansado e definitivamente estressado, com casos de pânico e ansiedade”, explica Clerton.

Parar é questão de saúde

Para explicar a necessidade de seres humanos se desligarem um pouco, Clerton faz uma analogia com os aparelhos que as pessoas tanto usam: tablets, celulares e computadores ligados por muito tempo acabam desgastados. “Desligar é uma condição natural. A pausa é necessária para pensar, para colocar tudo no lugar, para renovação das células, para o cérebro digerir novas informações, para novas compreensões.”

Nesse sentido, considerando que ainda não se sabe quanto tempo irá durar o modelo de aulas remotas ou híbridas, a ideia é que os educadores possam realmente se desconectar do mundo da escola, usando o recesso com foco no descanso.

Recesso e distanciamento

A recomendação de autoridades de saúde é a continuação de medidas como uso de máscaras e distanciamento social. Por isso, o recesso dentro de casa pode dificultar a missão de se afastar das telas e se desconectar dos assuntos da escola. José Clerton pontua, entretanto, que o esforço é necessário e pode ser iniciado a partir do autoconhecimento e auto-observação praticados pelos próprios docentes.

“Se você não tem a disciplina de dizer ‘basta, agora preciso descansar’, você acaba passando o dia todo e parte da noite nas telas, pois o trabalho vai além do contato com os estudantes e envolve respostas no WhatsApp, e-mails e fazer reuniões extras. Estamos trabalhando 12, 14 horas e não desligamos. Isso causa danos à saúde. Quando a pessoa começa a ter noção da importância do descanso, ela precisa dizer ‘já trabalhei minhas oito horas, agora preciso parar’”, exemplifica.

Especialista em estudos do ócio, o psicólogo comenta que há uma combinação entre as novas condições trazidas pela pandemia e uma questão social, na qual seres humanos entendem como moralmente incorreto o tempo de ‘não fazer nada’. Todo esse contexto tem feito, por exemplo, que as pessoas entendam erroneamente o sono como descanso.

“Estamos sofrendo um mal generalizado de cobrança, vigilância, controle do tempo conectado, e tudo isso leva a uma condição de cansaço que não pode ser revertida com duas horas de sono. É um cansaço de existir. [O livro] ‘Sociedade do Cansaço’ fala dos males desses novos tempos, e a pandemia trouxe, sem a menor necessidade, essa expressão naturalizada da ‘superatividade’”.

O que fazer?

Clerton explica que é importante esclarecer que não existe uma ‘receita de bolo’ para desconectar-se e conseguir descansar. Entretanto, deixa clara a correlação entre um estado depressivo, ansioso, tenso, a baixa de imunidade e a ocorrência de doenças.

Portanto, o psicólogo citou algumas dicas para que os professores da Vivescer possam começar a praticar o autocuidado, reflexão e desconexão no recesso escolar de julho. Confira oito dicas abaixo.

– invista na autopercepção e autoconhecimento, praticando dois turnos de 15 minutos de meditação ao longo do dia e prestando atenção na qualidade do seu sono. Para ver formas simples de meditar, clique AQUI.

– desconecte-se da tecnologia, mesmo da diversão via tecnologia, isto é, saia do Instagram, Netflix e WhatsApp por um tempo;

– reconecte-se com sua família: apesar dos inúmeros desafios que a quarentena trouxe, ficar em casa com seus filhos pode ser uma oportunidade de brincadeiras e estreitamento de laços, bem como uma chance de aproveitar o conhecimento dos seus avós;

– pratique uma atividade prazerosa que convoque sua alma e criatividade, como jardinagem, cozinhar ou pintar;

– leia conteúdos diferentes daquele que você leciona, como filosofia, história em quadrinhos;

– pratique atividades físicas, sobretudo as divertidas: dança, bicicleta, esportes ao ar livre, natação, caminhadas à beira-mar em horários menos movimentados;

– marque um encontro – com distanciamento – com alguém que não vê há muito tempo ou faça uma roda de conversa ao ar livre com amigos;

– invista em momentos ao ar livre: com toda a segurança, é possível passar tempos em quintais, jardins, na praça perto de casa, desde que sem aglomerações e em horários alternativos. Com isso, é possível entender a potencialidade da natureza nesse processo de reconexão primeiro consigo mesmo, depois com o mundo.

Desenvolvimento integral

Como professores podem cuidar da mente, do corpo, das emoções e de seu propósito de vida? É sobre isso que falam os cursos online e certificados da Vivescer. Desde estratégias de respiração, passando por sucos saudáveis e fáceis de fazer, e chegando a alternativas pedagógicas para gritar menos em sala de aula, esses conteúdos ajudam no dia a dia do professor, seja na hora do trabalho ou do lazer.

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