Promover conexões e incentivar a imaginação são dicas para engajar crianças nas férias de julho

Criança em cima da árvore brincando com uma borboleta

Mais do que pensar em atividades mirabolantes, Maíra Gomes comenta sobre a importância da comunicação entre famílias e filhos, bem como propostas que envolvem os interesses das crianças 

Finalmente chegaram as férias de julho. Se para os educadores esse representa um momento de descanso para recarregar as energias para mais um semestre, para pais, mães e responsáveis pode ser um período de apreensão por não saberem como preencher o tempo das crianças e jovens.

Maíra Gomes, designer, pedagoga e idealizadora da Fábrica do Desbrinquedo, comenta que não precisa ser assim. Em vez de desesperadamente buscarem atividades, passeios, estratégias e formas de ocupar os filhos, é possível fazer tudo isso apenas com uma palavra: conexão. 

“Muitas vezes, tudo que a criança quer e precisa do adulto é presença. A chave é buscar conexão. Procure experiências que conversem com o que a criança gosta. Desenhar num bloquinho uma paisagem que estão contemplando, soltar pipa, praticar algum esporte, fazer piquenique: literalmente qualquer coisa”, explica. 

O desafio das telas

Com as crianças em casa o dia todo, as chances de ficarem em frente às telas são grandes. Para Maíra, o uso excessivo das telas não é um problema apenas das férias. É necessário promover uma reflexão sobre o fato de que crianças e jovens não foram ensinados a ter uma relação saudável com os aparelhos. 

“É comum observar adultos que usam dispositivos eletrônicos com a intenção de acalmar ou entreter as crianças. Mas para onde vão os sentimentos quando eles não são sentidos ou expressos? Como fica a razão desconhecida do choro, que foi redirecionado para tela, ou o tédio que não veio porque o celular ou o tablet estavam sempre lá para preencher o lugar dele?”, ressalta.

O assunto é complexo, entretanto, para se resumir em permitir ou proibir o uso dos aparelhos. Ao mesmo tempo que adultos devem compreender que as telas sobrecarregam o sistema sensorial da criança e representam um pacote muito grande de estímulos – com cor, luz, som, movimento e vibração –, a mera proibição pode desgastar a relação entre adultos e crianças. 

Por isso, Maíra indica que se busque o caminho da comunicação e criação de laços e conexões. “Mais nada que você possa oferecer tem tanto estímulo sensorial quanto a tela. Uma saída ao parque pode parecer, para o seu filho, um pedaço de brócolis depois de comer um fast-food: meio sem gosto e um tanto frustrante. Então a dica é: olhe pro sentimento de frustração. Diga ‘Eu entendo que você esteja frustrado e está tudo bem se sentir assim. Ainda assim, eu sou o adulto e eu não posso te deixar passar tanto tempo em uma tela, porque entendo o mal que isso faz pra você’. A frustração não vai sumir de cara. Mas a forma que damos conta de comunicar isso, faz toda a diferença pra conexão que vamos construir com nossos filhos.” 

Use interesses a seu favor 

Na hora de escolher locais ou atividades a serem realizadas com crianças e jovens, a ideia é usar seus interesses a seu favor. Além dos tradicionais parques, praças e ruas fechadas, Maíra cita pistas de skate, esplanadas de estádios de futebol, museus, bibliotecas e muitas outras opções. 

Para cidades litorâneas, a praia é sempre uma opção. Se uma viagem está dentro das possibilidades, aproveitar a natureza fazendo trilhas e explorando novos lugares com riachos e cachoeiras também pode ajudar a envolver as crianças. 

Incentive a imaginação 

Propostas abertas têm mais potencial de engajar as crianças do que atividades prontas ou “fechadas”. Maíra explica da seguinte forma: ao levar brinquedos para um parque, as crianças podem brincar com eles ou com os brinquedos e estruturas do local. 

Mas, ao mudar de olhar e levar cordas e tecidos, por exemplo, o material pode se somar com os elementos do parque a partir da imaginação e intervenção das crianças. “Assim, o brincar ganha um significado muito mais amplo. O que o adulto planeja, precisa ser 90% sobre a criança.” 

Saiba mais 

Confira outras dicas de atividades que podem ser uma possibilidade para o período de férias escolares: 

– crie gincanas em casa ou em ambientes externos; 

– promova encontros com colegas e outras famílias; 

– incentive a leitura; 

– participe e faça programas junto; 

– deixe que a criança escolha a programação em um dia;

– não procure ocupar todo o tempo da criança; 

– incentive o descanso.

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