Como desenvolvimento integral ajudou engenheiro encontrar seu propósito na educação

Felipe Herszenhaut“Quanto mais certeza temos do nosso propósito, mais completos estaremos em nossa prática, que poderemos fazer de forma muito melhor.” Por mais inspiradora que essa reflexão seja, ela não veio fácil para Felipe Herszenhaut, professor-embaixador da Vivescer.

Tutor pedagógico de uma turma de 30 educadores da rede estadual de São Luís, capital do Maranhão, a trajetória de Felipe na educação conta com algumas particularidades. Formado em engenharia de produção, trabalhou durante cinco anos na área de operações de uma organização de saúde. Com a chegada de uma nova pessoa na área de recursos humanos da empresa, que trouxe consigo uma abordagem de desenvolvimento integral para a organização, Felipe começou a ver as coisas mudarem.

“Essa história de falar de propósito dentro do ambiente de trabalho e do desenvolvimento humano não só para o objetivo do que tem que ser entregue em uma tarefa, por exemplo, foi o que começou a trazer o meu olhar para a educação como algo que eu gostava e tinha muito a ver com o que me movia”, explica o educador.

Em um avanço rápido, Felipe mudou o rumo de sua carreira e já deu aula de física em uma escola estadual do Espírito Santo, antes de mudar para o nordeste. Quando conheceu a Vivescer, ainda em sua primeira versão, e se deparou com uma proposta de desenvolvimento integral, ficou empolgado. “Apesar de essa proposta existir na educação, geralmente quem fala de desenvolvimento integral são escolas privadas de elite. Então é muito legal a Vivescer falar sobre isso e disponibilizar o conteúdo para o desenvolvimento de professores da escola pública de todo o Brasil.”

Navegação na plataforma

Como um dos primeiros usuários da Vivescer, Felipe conheceu a plataforma quando somente a jornada sobre emoções estava disponível. Para ele, descobrir e ter acesso aos conteúdos lhe causou uma sensação de completude, como se tivesse adquirido novas ferramentas de trabalho.

“Eu copiei em um pedaço de papel e deixo acessível uma tabelinha apresentada na trilha que fala das emoções básicas e vários sentimentos. Toda vez que estou sentindo alguma coisa diferente, eu paro, dou uma lida e tento entender. Essa técnica tem me ajudado a dar mais atenção aos sentimentos e emoções, e não apenas deixá-los passar”, reforça o educador.

Além disso, ele pontua que terminar os conteúdos de forma mais rápida não está entre seus objetivos e, por isso, leva seu tempo para fazer reflexões sobre cada ensinamento. Para Felipe, a navegação no site tem sido, em meio a tantas incertezas, “um momento de reflexão agradável, com mensagens positivas, que busca olhar para um futuro possível.”

Na prática

Seu trabalho como tutor consiste em assistir a aula dos professores, fazer observações em notas e, posteriormente, conversar para implementar melhorias durante a “coinvestigação”. Esse processo foi interrompido em função do distanciamento social imposto para conter o avanço do novo coronavírus e, por isso, o trabalho online com os educadores tem envolvido discussão sobre planejamento e avaliação de atividades e engajamento dos alunos, com a busca de alternativas e soluções a partir das queixas dos educadores.

A jornada incentivou que Felipe passasse a trabalhar mais com os educadores para que eles conseguissem identificar as emoções em suas falas, o que tem sido útil em um momento de frustrações e incertezas sobre ensino a distância e a maneira com que os alunos estão recebendo as atividades, por exemplo.

“As pessoas procuram referências mas, enquanto professores, não nos sentimos confortáveis em compartilhar, com medo de que tenha algo errado. Precisamos nos apoiar nesse processo e compartilhar para que nos ajudem a melhorar. É um processo de nos aceitar vulneráveis e se abrir.”