Como lidar com as câmeras fechadas dos alunos

 

Nem tudo é sinal de desinteresse. Entenda os motivos que levam os alunos a não ligarem suas câmeras.

câmera alunos

Há mais de um ano, a história se repete: professores superam as dificuldades técnicas do mundo digital, preparam suas aulas online, sentam-se na frente de seus computadores, e… tela preta do outro lado. O desafio de fazer com que os alunos liguem as suas câmeras aflige educadores de escolas públicas ou particulares de todo o país.

Para a professora de sociologia Renata Salomone, essa questão precisa ser abordada em toda a sua complexidade. Um ponto importante na decisão dos alunos de não abrirem a câmera durante as aulas é o desconforto de mostrarem o ambiente em que moram. Muitos alunos têm vergonha das suas casas ou das relações que ali se estabelecem. É muito comum, por exemplo, que o aluno tenha que dividir o espaço com irmãos ou outros familiares.

Há de se levar em conta também aspectos do cotidiano, como as questões de aparência. “As aulas online acabam sendo um espelho ao quadrado, ou seja, ao mesmo tempo em que você se vê, vê as outras pessoas te vendo. Para adolescentes mais tímidos, aumenta esse desconforto com a imagem, o que requer uma atenção”, explica a educadora.

A qualidade de conexão da internet também tem impacto na questão. “No ensino híbrido ou remoto, eu aconselho escolas e professores a pesquisarem para entender a conectividade dos estudantes antes de propor a abertura das câmeras. É necessário entender o contexto.”

A relação entre câmeras abertas e o interesse dos alunos

Em uma pesquisa realizada com seus alunos, Renata questionou o motivo de não abrirem as câmeras durante a aula. O primeiro fator apontado pelos jovens foi o cansaço, seguido de não gostar de se ver no vídeo. Por isso, para a educadora, a questão de não mostrar o rosto não está, necessariamente, ligada ao interesse dos estudantes nas aulas.

É importante repensar o que a imagem do aluno significa para os professores. O ideal é que o educador seja capaz de pensar nos objetivos da aula e nas metas de aprendizagem e, a partir daí, reflita quando as câmeras abertas são realmente necessárias.

“Muitas vezes, queremos que os alunos abram as câmeras simplesmente por uma questão de controle disciplinar, e não pelo processo de aprendizagem. Uma sugestão é criar momentos intencionais, em que se explique aos jovens os motivos concretos porque é importante que mostrem o rosto naquela hora”, explica ela.

O olhar sensível do professor

É indiscutível que as câmeras fechadas trazem uma complexidade ao trabalho do professor. O mundo ideal, segundo Renata, seria que todos realmente mostrassem o rosto. Esse cenário, além de mais confortável para o docente – que não sentiria que está falando sozinho –, possibilitaria um olhar mais sensível aos alunos como acontece no ensino presencial, permitindo adaptações nas metodologias utilizadas na aula.

Entretanto, diante da complexidade, Renata reforça a importância da criação de estratégias que não sejam violentas e acabem por agravar a situação. Algumas escolas, por exemplo, estão retirando da aula estudantes que não abrem as câmeras, ou condicionando pontos na nota aos que ligam a câmera.

“Esse tipo de experiência não está comprometida de fato com a aprendizagem, porque, em muitos casos, o aluno não assimilou. Ele está abrindo a câmera porque sabe que vai ganhar pontos ou será punido se não o fizer. Na pesquisa que realizei, também perguntei o que levaria os alunos a abrirem as câmeras. A maioria respondeu respeito e empatia pelo professor e a questão da conexão com o docente.”

O que funciona na prática

Já que esse é um desafio que se repete em diferentes escolas, regiões e cidades, os professores têm criado estratégias para convencer seus alunos.

Renata sugere atividades que indicam se os alunos estão engajados sem precisar ligar as câmeras. Um exemplo é o uso de formulários durante a aula. A ideia é que o professor crie uma ou mais perguntas simples na ferramenta Google Formulários (ou qualquer outra similar), e que os estudantes interajam com o conteúdo durante a aula. Isso permite que o docente veja, pela listagem de nomes, quem está participando ou não.

Promover uma alternância dos ritmos da aula – com questionários, partes expositivas, uso de testes e jogos – é uma alternativa. Também é possível realizar atividades em grupos menores, onde os estudantes podem se sentir mais confortáveis em abrir as câmeras e debater com os colegas. Nessas dinâmicas, cada grupo pode ficar responsável por estudar brevemente um tema e, depois, o professor mescla os grupos e cada integrante deverá contar sobre o que seu grupo inicial estudou.

A proposta das atividades em conjunto também funciona na hora das avaliações. Renata sugere dividir a turma em grupos e fazer duas perguntas objetivas. Em seguida, cada grupo deverá explicar por que escolheu determinada resposta. Ao final, depois do debate, eles respondem as questões novamente. “Esse processo é impressionante porque, às vezes, a porcentagem chega a 100% de acertos depois da dinâmica, sem os alunos terem passado por mim, somente com o debate entre eles”, completa.

A estratégia de perguntar aos estudantes o que eles já sabem, o que querem saber e, depois, o que aprenderam sobre determinado assunto, também reforça o protagonismo como forma de promover o engajamento. “Quando centramos o processo de ensino no estudante, conseguimos criar estratégias mais significativas para eles”. As metodologias ativas ajudam bastante nesse processo.

Um ambiente de segurança

Além de explicar para os alunos em quais momentos é importante ligar a câmera, é fundamental lembrarmos que essa decisão também está relacionada à conexão entre professores e alunos. A criação de um ambiente de segurança psicológica em que todos sintam-se aceitos e possam ser vistos e ouvidos, sem desconfortos ou problemas de convivência, é crucial para que os alunos abram a câmera.

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