Professora leva grafismo indígena para Educação Infantil 

O objetivo da professora é trabalhar as diferentes manifestações culturais dos povos indígenas com as crianças

Engana-se quem pensa que os grafismos indígenas se resumem à decoração. Para os povos originários do Brasil, essas pinturas são manifestações culturais muito importantes. E foi essa história que a professora Fernanda Ferreira, de Piracicaba (SP), decidiu trabalhar com as crianças da Educação Infantil. 

O grafismo indígena pode ser observado na pintura corporal, na cerâmica, nas cestarias etc. Essa prática é uma poderosa forma de comunicação, já que é possível fazer uma leitura dos sujeitos no que se refere à etnia, ao gênero, a faixa etária e/ou ao grupo a partir dos formatos expressos graficamente.  

Nesse contexto, Pequenos Caracóis é uma iniciativa que tem como principal objetivo levar a cultura dos povos indígenas do Brasil para as crianças do Jardim II da Escola Municipal Antônio Boldrin. ‘’Inicialmente, estamos dando ênfase para o grafismo indígena. Posteriormente a ideia é ampliar para esculturas, músicas, imagens, jogos e brincadeiras, culinária, contos e histórias’’, contou Fernanda.  

Passo a passo  

De modo geral, o planejamento é dividido em três momentos, sendo eles: processo explorativo, processo investigativo e processo de criação.  

1) Processo explorativo 

Foto: arquivo pessoal da professora

– Apresentação de imagens do cotidiano de diferentes povos indígenas. Essas imagens podem ser encontradas em livros, jornais, revistas e filmes. 

– Revisão das imagens, sinalizando para as crianças a presença do grafismo no corpo, nos objetos, nos adereços, artesanatos, casas, etc.  

2) Processo de investigação 

Foto: arquivo pessoal da professora

– Os mesmos materiais são retomados, só que agora com teor investigativo, a fim de entender o seu significado histórico e cultural, respeitando a diversidade que as manifestações gráficas têm para cada comunidade indígena. É válido ressaltar que aqui não pode haver generalizações, as especificidades são levadas em consideração; 

       Observação: é importante que o educador ou educadora façam uma pesquisa prévia para relacionar os grafismos apresentados nas imagens aos seus reais significados e usos. Ou seja, por que é usado e para que. Com isso, as imagens começarão a ganhar novos sentidos para as crianças, deixando de ser imagens comuns para se tornarem imagens com histórias.  

Para a pesquisa, a professora Fernanda usou os seguintes materiais: ‘’Grafismo Indígena: compreendendo a representação na pintura corporal Asurini’’, 2003, de Ricardo Artur Pereira de Carvalho e o livro ‘’Grafismo Indígena: estudos de antropologia estética’’, 2000, de Lux Vidal.  

3) Processo de criação 

É durante esse processo que as crianças vão se apropriar dos elementos internalizados durante as etapas anteriores e iniciam o processo de materialização desses conhecimentos. Para isso, poderão fazer:  

– Criação de desenhos a partir do grafismo indígena. 

– Criação de histórias a partir do grafismo indígena. 

Foto: arquivo pessoal da professora

De modo geral, essas atividades contribuem significativamente para o desenvolvimento infantil, ampliando os saberes com relação à formação da humanidade, modos de vida, cultura, produção científica, ancestralidade etc.  

”Entendo que esse tipo de atividade pode colaborar significativamente na construção de uma sociedade que rompa com as estruturas racistas e preconceituosas que atravessam os povos originários’’, finalizou Fernanda. 

E aí, professor(a), o que achou do projeto da professora Fernanda? Comenta aqui embaixo! Quer dicas de livros para trabalhar a cultura dos povos indígenas com seus alunos? Clique aqui

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *