Como planejar aulas e atividades criativas para despertar o interesse pela leitura

Da educação infantil ao ensino médio, educadoras dão dicas de como inovar para criar experiências atrativas e multissensoriais 

O brasileiro lê em média cinco livros por ano e está perdendo leitores. O alerta da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostra a urgência de estimular o interesse de crianças e adolescentes pelos livros, é preciso mais do que uma boa recomendação. A criatividade também é fundamental na hora de planejar aulas e atividades. 

Para a professora Giovana Picolo, que trabalha em duas escolas públicas no município de Pinhal da Serra, no interior do Rio Grande do Sul, é necessário inovar para atrair a atenção da turma. Na sua sala de aula, tanto nas turmas de ensino fundamental quanto nas de ensino médio, os livros são passaportes para um universo de imaginação, diversão e emoção. “Meus alunos ficam com o coração na boca quando começam a ler”, conta. 

Da contação de histórias ao desenvolvimento de jogos de RPG (Role-playing game), em que os jogadores assumem papéis de personagens e constroem narrativas colaborativas, a professora não economiza na criatividade quando vai planejar suas aulas. Entre as atividades mais recentes, alunos do terceiro ano do ensino médio foram convidados a preparar uma pizza literária. Em dez fatias, desenhadas em uma caixa de papelão, eles apresentaram personagens, resumo da história lida, clímax e outras informações importantes, incluindo pesquisas sobre o autor e a avaliação se indicariam ou não a leitura da obra. “Os alunos amaram. Eles contaram para os colegas [sobre suas leituras em forma de pizza], e fizemos uma exposição na escola.”

Na avaliação dela, o professor é uma das figuras mais importantes para estimular o interesse de crianças e adolescentes pelos livros e histórias. “Muitas vezes, nós somos os únicos incentivadores”, completa. A percepção de Giovana também conversa com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, já que os educadores são citados por 11% dos entrevistados como as pessoas que mais influenciaram no gosto pela leitura. Eles aparecem em primeiro lugar, logo à frente da mãe ou responsável do sexo feminino (8%) e do pai ou responsável do sexo masculino (4%). 

Leitura na primeira infância 

Mas a partir de qual idade as crianças devem vivenciar suas primeiras experiências de leitura? Cada vez mais pesquisas em educação reforçam o papel dos livros e das histórias no desenvolvimento de bebês e crianças bem pequenas. “Acredito que promover experiências diárias com os livros é essencial para que as crianças bem pequenas criem vínculos afetivos com esses objetos”, afirma a pedagoga e especialista em educação bilíngue Gillian Taveira Moraes Ichiama, pesquisadora do grupo CRIEI, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), no campus de Sorocaba (SP). 

Como professora de crianças, com idades entre um e dois anos, em uma escola bilíngue na cidade de São Paulo, Gillian destaca que o livre acesso aos livros proporciona vivências genuínas e singulares com o mundo literário. Por isso, é fundamental pensar e planejar formas criativas para disponibilizar os livros, além de criar um acervo de títulos importantes. “O modo que oferecemos os livros revelam concepções de infâncias e de como enxergamos os livros – objetos artísticos narrativos que auxiliam na ampliação de repertório linguístico, artístico e cultural.”

Em busca de uma forma convidativa e atrativa de apresentar os livros, ela conta que surgiu a ideia de montar uma paleta literária. “Temos na sala uma cabana colorida com tecidos coloridos. Nessas prateleiras coloquei livros abertos com  imagens das páginas que dialogam com as cores dos tecidos, convidando à exploração dessa paleta literária”, relata a professora, que também compartilha registros das suas experiências no Instagram, pelo perfil @gillian_olharsensivel. “Os livros nos fazem convite para vivermos o simbólico, aspecto que as crianças fazem com maestria. Essa construção de afetividade e vínculo afetivo é feito diariamente, com vivências reais”, reforça Gillian. 

Dicas para construir experiências criativas de leitura 

Confira aqui algumas dicas apresentadas pelas professoras Giovana Picolo e Gillian Taveira Moraes Ichiama para construir experiências de leitura com crianças e adolescentes: 

1- Pense no modo como os livros serão oferecidos; 

2- Faça leituras multimodais, explorando texturas, ritmos e cores; 

3- Promova atividades com o corpo todo; 

4- Incentive diariamente os estudantes; 

5- Não tenha medo de inovar com jogos, teatro, fantasias e projetos artísticos; 

6- Organize debates, rodas de conversa e momentos de compartilhamento; 

7- Tenha uma escuta sensível para promover encontros entre a turma e os livros. 

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