Volta às aulas deve considerar período de adaptação e incluir avaliação diagnóstica

Professor com uma lâmpada perto da cabeça tendo uma ideia e dois alunos conversando com ele sobre ideias que eles tem na volta as aulas. Os dois estão com balões de fala com desenhos de pipa, mala, bola, avião dentro

Para Lígia Fontana, promover o engajamento dos alunos é uma tarefa diária. Educadores devem avaliar suas aulas e propostas pedagógicas para promover mais participação 

Mentes descansadas e ânimos renovados. A volta do recesso de julho pode ser uma boa oportunidade para testar experiências, organizar registros e o espaço da sala de aula, além de promover uma nova rodada de engajamento e aprendizado para os estudantes. 

Lígia Fontana, pedagoga, mestre em comunicação educacional e mídias digitais e professora universitária no curso de pedagogia, explica que esse momento inicial deve ser dedicado à adaptação. “Ao voltar às aulas é importante todos terem o momento de ambientação, familiarização com os assuntos que estão acontecendo, novidades e possíveis mudanças caso aconteçam”, afirma. 

A avaliação diagnóstica também é um ponto fundamental para que a equipe pedagógica entenda em qual fase os alunos estão. “Apesar de vir acompanhado de expectativas para novas jornadas educativas, o retorno às aulas demanda uma análise do semestre anterior. Só assim, unindo avaliação diagnóstica e planejamento, é possível pensar em novas estratégias.”

O que avaliar?

Para Lígia, a volta às aulas pode ser um bom momento para elaborar e promover ações que possibilitem a avaliação diagnóstica de pontos não diretamente relacionados aos conteúdos, mas sim às habilidades e competências dos estudantes. Ela cita que educadores podem avaliar a capacidade dos alunos de: 

  • Colaboração;
  • Solução de problemas;
  • Pensamento crítico;
  • Flexibilidade;
  • Autocontrole. 

Tudo isso pode ser feito: 

– Proporcionando a diversidade; 

– Estimulando a participação em atividades coletivas; 

– Criando oportunidades de interação. 

“Com tantos pontos para retomar com a volta às aulas, todos precisam se ambientar e, com as ações citadas acima, o professor consegue avaliar o contexto que está inserido e refletir sobre sua prática docente e as possíveis ações avaliativas válidas para cada turma”, explica Lígia. 

Promovendo o engajamento 

Engajar novamente os estudantes para um novo semestre de aprendizado pode ser uma tarefa desafiadora. Antes de equacionar estratégias para que crianças e jovens se envolvam com mais afinco nas propostas, Lígia pontua a importância de compreender o engajamento a partir de quatro aspectos: comportamental, afetivo, cognitivo e agente. 

“Não há uma receita para o engajamento, pois cada ação pedagógica necessita de novos aspectos para engajar a turma. O objetivo e os resultados influenciam nesta construção.” 

Lígia encara o engajamento como uma construção diária que pode começar antes mesmo da própria aula, a depender da intencionalidade do professor. Para potencializar a participação e interesse de seus alunos, a educadora cita algumas questões que os educadores podem fazer a si mesmos: 

  1. Sua turma tem voz?

A participação dos alunos melhora o desempenho e contribui para o protagonismo dentro das ações propostas. Em um debate de ideias, por exemplo, os alunos podem comparar, analisar e trabalhar a empatia, ouvindo e se colocando no lugar do outro.

  1. Já trabalhou com projetos colaborativos e cooperativos?

Os projetos colaborativos promovem a integração da turma, que compartilha conhecimento para concluir conjuntamente a ação proposta.

  1. Qual a nota de comunicação da sua turma?

A comunicação é um dos maiores canais de motivação dos alunos, seja no presencial, híbrido ou on-line.

  1. Suas aulas são lúdicas?

É importante pensar na ludicidade das aulas, e, mais do que isso, deve-se focar no desafio proposto: campeonatos, hackathon, perguntas e respostas ou adivinhações, levando em consideração não só o resultado, mas todo o processo e envolvimento dentro da atividade.

  1. Que nota você dá para o relacionamento, envolvimento e respeito em sala de aula?

O engajamento está diretamente ligado ao relacionamento, o grau de envolvimento seja com a atividade ou integrantes da ação educativa e respeito mútuo. “É uma construção diária onde cada um faz seu investimento para que o resultado seja de todos.” 

Diversificando propostas

Sala invertida, ensino híbrido, aprendizagem baseada em projetos, design thinking, estudos de casos com experimentos, propostas colaborativas, realidade virtual, podcast, blog ou  twitter são apenas algumas das ideias citadas por Lígia para diversificar propostas em sala de aula e, com isso, promover maior participação dos alunos. 

Entretanto, ela reforça a importância de mapear a turma para escolher a melhor metodologia, estratégia e recurso educativo de acordo com a realidade daquele grupo. “Além disso, pensar na tecnologia assistiva para incluir é primordial, recursos tecnológicos podem garantir uma educação de qualidade a todos.”

Fique por dentro

Práticas de acolhimento são essenciais no retorno às aulas pós recesso. Elas ajudam na adaptação dos alunos com a volta da rotina e ambientação com o espaço da escola.

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