Recesso pode ajudar professores a retomarem bons hábitos alimentares

Ferramentas gratuitas na internet trazem noções básicas sobre nutrição, que podem ser aplicadas no dia a dia a partir do planejamento e organização das refeições

alimentação professores

Depois de falar sobre a importância de professores usarem o recesso escolar de julho para realmente desconectar-se do trabalho e descansar, chega a hora de debater outro aspecto da vida que pode ter sido deixado de lado em meio a um cenário de longas horas de trabalho, cuidado com os filhos e tarefas da casa: a alimentação.

Muito se fala sobre a importância da prática de exercícios físicos, que protegem não somente a postura depois de horas em frente a um computador, mas também a saúde mental com a liberação de endorfina durante os exercícios. Entretanto, a importância de uma alimentação pensada e equilibrada é um tema menos discutido.

Fernanda Laino, nutricionista da Escola Paulista de Medicina, comenta que, no âmbito do cuidado com o corpo, uma boa alimentação também se configura como autocuidado, uma vez que todos os processos fisiológicos de uma pessoa dependem de fontes diversificadas de energia.

“Precisamos pensar que se não comemos bem, não dormimos bem, não trabalhamos bem, até nosso cognitivo fica prejudicado. Precisamos de uma alimentação balanceada e variada para poder ter bons resultados ao final do dia. Temos visto que pensar o que vai comer, onde, como e a que horas tem sido um privilégio. A maioria das pessoas faz tudo isso no piloto automático”, explica.

Como incluir o cuidado com alimentação na rotina

Com o fechamento das escolas e a migração do trabalho presencial para o online, o equilíbrio entre vida profissional, pessoal, cuidado com os filhos e com a casa ficou bagunçado.

Em muitos casos, essa conta não fechou. “Algumas pessoas têm uma visão romântica da quarentena, que tivemos tempo para fazer as coisas. Mas principalmente o professor eu acredito que não teve tempo de sair da cadeira, pois ele dá aula, faz cursos, pesquisa assuntos e recursos para chamar a atenção dos alunos. A isso, somam-se filhos e cozinhar”, expõe a nutricionista.

Nesse contexto, ela defende a importância de separar um tempo nessa rotina, que pode ser aos finais de semana ou no contraturno do trabalho, para de fato pensar conscientemente sobre os alimentos que serão consumidos durante a semana. Para Fernanda, a organização é a chave do sucesso.

Ou seja, alimentos como frutas e legumes devem ser comprados no mercado ou na feira, lavados, picados e guardados em potes na geladeira, ou montados em sanduíches naturais. Isso facilita que, em um momento de pouco tempo e muitas tarefas, os lanches rápidos sejam opções saudáveis e não biscoitos industrializados, por exemplo.

“Acredito que o recesso escolar pode ser o momento de o professor incluir esse momento no seu dia a dia para quando ele voltar a trabalhar já ter o hábito mais estabelecido. Quando seguimos uma rotina mais regrada, nosso corpo sente falta quando não cumprimos. Por isso, é legal aproveitar esse momento para tentar montar essa rotina e criar bons hábitos.”

Não entendo sobre nutrição. E agora?

A orientação de um profissional de nutrição é insubstituível para a montagem de um cardápio saudável, observando as necessidades e particularidades de cada pessoa. Entretanto, Fernanda deixa claro que a internet disponibiliza ferramentas práticas e gratuitas onde é possível pesquisar e dar início a uma mudança de hábitos alimentares na direção de uma vida mais saudável.

Uma dessas ferramentas é a pirâmide alimentar, aquela que é ensinada na escola ainda no ensino fundamental. Elaborada de acordo com os hábitos culturais de cada país, a figura mostra os principais grupos de alimentos e indica, em média, a quantidade de porções a serem consumidas diariamente por crianças e adultos.

Outro instrumento interessante é o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde. O material explica por que a alimentação é mais do que a ingestão de nutrientes, traz conceitos como alimentos in natura, processados e ultraprocessados e outras noções básicas sobre nutrição.

“Estamos vivendo uma epidemia de obesidade pois estamos consumindo muitos alimentos industrializados, e as pessoas não sabem ler os rótulos para entender quais ingredientes estão presentes em maior ou menor quantidade. O que digo é que precisamos desempacotar menos. Na correria, a tendência é pegar um pacote de salgadinho ou bolacha. Por isso, quando falamos em nutrição, o planejamento e organização são grandes passos que facilitam muito o processo”, defende Fernanda.

Dessa forma, ela reforça a importância da busca por informações produzidas por profissionais da área de nutrição, ressaltando os perigos de seguir dietas indicadas, por exemplo, por influenciadores digitais nas redes sociais.

Memórias afetivas na alimentação

Uma outra forma de buscar uma alimentação mais saudável é tentar lembrar dos pratos que nos trazem uma memória afetiva positiva. Momentos que vão desde o carinho de uma avó ao fazer um prato que gostamos, até o sentimento de liberdade ao subir em uma árvore cheia de frutas maduras.

Se você, agora, fechar seus olhos e recordar da sua infância, qual é o cheirinho de comida que vem à sua mente? Existe algum sabor que você tem saudades? Onde você estava e quem preparava? Veja mais sobre este tema AQUI.

Vivescer, será que tem alguma atividade específica na plataforma para professores com pouco tempo livre para ficar na cozinha?

Claaaaro! Clicando AQUI, você acessa um conteúdo especial cheio de bons exemplos, como esse aqui:

“Para planejar sua dieta, antes de tudo, tenha três caixas imaginárias em mente: uma caixa grande, que deve ser preenchida com alimentos in natura e minimamente processados, uma caixa média, com alimentos processados e acrescidos de ingredientes como sal, açúcar e gordura, e por fim uma caixinha bem pequena para os ultraprocessados.”