Melhorar a relação com a tecnologia demanda novas metodologias

A adoção de novas metodologias de ensino aliadas à tecnologia vão continuar sendo importantes neste ano letivo. Com no máximo 30% de alunos nas escolas, rodízio nas turmas e ensino híbrido (presencial e remoto), professores terão que usar toda a experiência adquirida ao longo de 2020 para interagir e manter alunos aprendendo com atividades engajadoras.

No último ano, educadores foram pouco a pouco rompendo barreiras para a adoção de tecnologia em suas aulas. Isso foi detectado pela pesquisa “Pesquisa de sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil”, realizada pelo Instituto Península em quatro etapas. A sondagem ouviu as opiniões de educadores brasileiros, na medida em que o isolamento social ia se ampliando e a realidade do ensino remoto ficava cada vez mais clara por conta da pandemia da Covid-19.

Em março, na primeira etapa da pesquisa, foram ouvidos 2.400 educadores. Naquele momento, ensinar por meio da tecnologia era o período mais desafiador. Apenas um terço das escolas estava oferecendo estrutura adequada para o ensino de maneira remota.

Na segunda etapa, realizada em maio, o número de professores que se sentiam pouco preparados para o ensino remoto era de mais de 50% seja nas redes estadual, municipal ou privadas. A maior porcentagem dos professores que declararam estar pouco preparados estava na rede privada (59%)

Já na terceira etapa, realizada entre julho e agosto, 46% dos educadores apontaram como principal dificuldade a falta de conhecimento das ferramentas de tecnologia. Em uma experiência diferente daquela de sala de aula, era difícil não apenas selecionar os melhores aplicativos, como também inseri-los em uma dinâmica de aula e depois avaliar o conhecimento dos alunos. Nessa fase, 23% dos educadores ouvidos pela pesquisa tinham mais de 50 anos de idade.

A coordenadora pedagógica escolar integrante da equipe de design de experiências pedagógicas da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, Gislaine Munhoz, acredita que a faixa etária dos professores não foi o principal problema: “Observei que a idade não tinha muita relação com a facilidade ou dificuldade de migração dos professores para ambiente remoto. Os professores independentemente da idade enfrentam diferentes tipos de desafios, como o acesso à internet de qualidade”, afirma.

Também na terceira fase, ficou demonstrado que 63% dos educadores acreditam que o papel da tecnologia é o de “apoiar uso de diferentes metodologias de aprendizado”. Mas, segundo Gislaine não é isso que está acontecendo. “O que temos agora, é a reprodução do que acontece no ensino presencial”, lamenta.

Para uma relação harmônica e complementar entre a educação e a tecnologia, a necessidade de adaptação gerada pela pandemia pode trazer muitos aprendizados. É isso que defende Ana Paula Gaspar, assessora de tecnologia educacional que criou uma ferramenta que ajuda educadores no planejamento de aulas remotas.

“A PERA (planejamento de experiências remotas de aprendizagem) é uma ferramenta que apoia o professor no planejamento de atividades de forma sistêmica, olhando para os componentes que compõem a experiência de aprendizagem remota: as pessoas, a intencionalidade, a prática pedagógica e os recursos digitais. Esses quatro componentes são interdependentes”, explica Ana Paula.

Gislaine acredita que as novas tecnologias podem apresentar novas experiências para professores e estudantes. Como exemplo, ela cita as matérias de arte e educação física: “Essas duas áreas podem aproveitar todo o potencial do ensino remoto, pois permitem a expressão no corpo através da arte, da música e da dança, penso que são áreas que com a proposição de desafios, pequenos vídeos, estilo TikTok, podem ressignificar inclusive como esses conteúdos podem ser trabalhados, quando houver a volta para o presencial”.

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