Estratégias para que você e seus alunos gritem menos na sala de aula 

Espaços de escuta, mediação de conflitos e combinados práticos podem reduzir a gritaria na sala de aula e proteger a voz dos educadores

Professora com as mãos sobre os ouvidos. Texto: Como evitar a gritaria na sala de aula?

Só quem já esteve em uma escola na hora do intervalo sabe o volume que várias crianças juntas conseguem gerar. Mas se a gritaria durante as brincadeiras no recreio é normal, na sala de aula ela representa um desafio a ser superado. 

Iriana dos Santos fala por experiência própria quando afirma que é praticamente impossível que professores falem mais alto que as vozes dos estudantes em conjunto. Como professora responsável pela Escola Municipal Dulce de Faria Martins Migliorini, de Itirapina, interior de São Paulo, ela conta à Vivescer que sua chegada à instituição foi um choque de realidade, pois encontrou gritos por todos os lados: de alunos, professores, monitores… Todos elevando a voz para serem ouvidos

A educadora relatou a questão para alguns colegas que enfrentavam o mesmo problema e eles apresentaram caminhos alternativos, como fazer algum barulho para chamar a atenção dos alunos. Mas o cenário da escola realmente mudou com a realização de uma formação para todos os educadores.

Reflexão sobre a prática pedagógica

No caso da escola Dulce, foi necessário, em primeiro lugar, dar uma atenção especial ao que os professores pensavam e estavam sentindo, para depois elaborar conjuntamente estratégias que mudassem o comportamento não apenas dos estudantes, mas de toda a comunidade escolar. 

Por mais que o cotidiano seja corrido e tomado de afazeres, um ponto fundamental é garantir espaço para as formações, reuniões e reflexões entre pares. Para Iriana, conhecer novos autores, ler textos inspiradores e, com isso, promover uma reflexão sobre as práticas pedagógicas da instituição foi um processo valioso no caminho da mudança. 

A instituição passou por uma formação no qual professores, orientadores, coordenadores e demais profissionais puderam dividir seus medos, aflições e desafios. “A gritaria e o fato de ter que falar cada vez mais alto era algo que incomodava a todos. Quando passamos por esse processo de escuta com o formador, começamos a perceber como devemos cuidar da maneira que nós mesmos estamos falando para poder ouvir o outro. Esse foi um passo muito importante na escola”, pontua. 

Escuta e mediação

Com as formações, os profissionais da escola conseguiram compreender a importância do processo de escuta e de dar o direito à voz do outro. Isso levou à adoção de novas posturas e comportamentos por parte dos adultos e crianças pautados em um elemento central: a mediação. 

“Quando tem algum atrito, sempre tem uma mediação de escuta, que às vezes é feita até mesmo por um outro aluno. Escutamos os envolvidos e vamos tentar entender o que está errado na situação. Agora, temos um combinado de que, quando alguém quer falar, ergue a mão. E o legal é que as crianças já sabem que, quando alguém ergue a mão, ela tem o direito de fala”, comenta Iriana. 

A importância dos combinados

Além do fato de ninguém conseguir se comunicar efetivamente no meio de gritarias, a prática pode ser prejudicial à saúde dos educadores. Isso porque um dos principais instrumentos de trabalho do professor é sua própria voz. O esforço de falar mais alto que os estudantes pode provocar danos permanentes às cordas vocais. 

Algumas estratégias ajudam a evitar a sobrecarga da voz. Recomenda-se beber bastante água e evitar excesso de álcool e café. A boa articulação das palavras, aquecimento vocal – com exercícios de alongamento do pescoço e vocais – e até a postura do educador podem ajudar. Confira outras dicas sobre cuidados especiais com a voz. 

Vivência em outros espaços

Formações continuadas também podem chamar a atenção dos educadores para pontos antes despercebidos. No caso da escola Dulce, de tempo integral, Iriana comenta que as crianças passavam o tempo todo dentro da sala de aula. Por isso, uma mudança importante foi promover vivências nos espaços externos da escola. 

“Uma oficina que nos ajudou muito foi a de jardinagem. Nós percebemos que essa conexão com a natureza acalma a criança quando ela começa apropriar-se desse espaço. Foi assim que começamos a ter mais espaços verdes plantados e cuidados pelos próprios estudantes. Esse sentimento de pertencimento também é algo que acalma, e até hoje, quando alguma criança está muito nervosa, os próprios alunos falam: ‘dá uma voltinha no jardim, respira, vai ver as plantinhas’”, comenta a educadora. 

Iriana reconhece que transformar toda uma cultura escolar não é um processo fácil, mas garante um resultado prazeroso não só para os educadores, mas principalmente para as crianças. “Quando as crianças entram nesse processo de sintonia com elas mesmas é muito prazeroso. Tentamos colorir ao máximo a escola para criar esse espaço onde ela se sinta acolhida, porque nesse processo de escuta, ela consegue ouvir, falar baixo e entender.” 

Novas práticas

Mesmo depois da formação, Iriana comenta que a escola continua aplicando e desenvolvendo novas formas de conexão com as crianças, assim como processos que acalmam e facilitam o diálogo. Entre elas, estão: 

  • Práticas de relaxamento no início das atividades; 
  • Oficinas de ioga; 
  • Oficinas de artes, com música, tintas, giz, e outros materiais. 

Fique por dentro

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Respostas

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  1. Muito boa a matéria, realmente é uma excelente dica para trabalharmos com os professores em tempos de um novo modelo de educação e retorno em cem por cento dos alunos em sala de aula, eles voltam com muita energia o que nos deixa com os nervos a flor da pele.Rsrs…

  2. Estou chegando em casa depois de dar 13 aulas quase todos os dias e como sempre sem voz na sexta feira… Todos os dias um desafio a ser enfrentado, um leão a ser vencido… Falar alto pra tentar ser ouvida e acabar gerando mais barulho e apenas barulho… Triste e exausta, é assim que estou me sentindo hoje!

  3. Já fiquei sem voz , muito difícil agente consegui falar chamar atenção das crianças em meio às gritaria . Se não tivermos estrategias para lidar com essas situações, será muito difícil.

  4. Gostei muito da matéria.
    Gostaria de me inscrever no curso sobre emoções.

  5. Experimente ficar 8 horas em sala…em um cubículo onde você mal consegue se mexer, onde se passa calor, se sente fome, desconforto….40 pessoas com 12 ,13,… anos…Todos trazendo consigo frustrações, ideias…traumas, carências, uma carga astronômica de sentimentos e uma energia infinita.
    Um currículo que não chama a atenção…
    Analiso… meus problemas com o barulho deles é tão pequeno…
    Pena que ninguém pensa em qualidade… a experiência em trabalhar com turmas reduzidas foi tão rica, os estudantes aprenderam muito, pena que o poder público nunca pensa em qualidade…

  6. Todos os cursos muito bons e proveitosos. Gratidão! Namastê“O Deus em mim saúda o Deus em você”. Deus abençoe! vocês realmente estão melhorando o “mundo”.
    Tenho interesse em outros cursos.

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