4 livros para inspirar a prática docente durante a pandemia

Livro aberto com silhuetas de crianças brincando sobre as páginas

 

A pesquisa “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil”, realizada pelo Instituto Península, durante o período de suspensão das aulas em razão da COVID-19, demonstra que os professores estão mais propensos a usar seu tempo com estudos em detrimento do lazer. Na primeira etapa do levantamento, 60% dos respondentes afirmaram que estavam se dedicando a atividades relacionadas a cursos, preparação de aulas e estudos, enquanto na segunda etapa, 50% afirmaram dedicação a estudos de capacitação profissional e 62% às atividades da escola.

Muitos especialistas afirmam que as mudanças sistêmicas em diversos âmbitos da vida, incluindo a educação, pode ser uma oportunidade para repensar seu funcionamento e implementar alterações significativas nas metodologias para ensinar e aprender. Ao mesmo tempo em que professores precisam de um referencial teórico sobre essas novas metodologias, demandam dicas práticas que podem ser aplicadas no momento presente, com o ensino sendo mediado, na maior parte do tempo, pela tecnologia. Por isso, a Vivescer reuniu dicas de livros que podem inspirar a prática docente agora e render frutos de transformação na retomada das aulas presenciais. Confira a seguir.

Educação em quatro dimensões: as competências que os alunos devem ter para atingir o sucesso – Charles Fadel, Maya Bialik, Bernie Trilling (E-book gratuito)

Escrito por Charles Fadel, especialista em inovações para educação, fundador do Center for Curriculum Redesign e professor visitante de Harvard, o livro (disponível para download) parte do princípio que estudantes do século 21 precisam desenvolver quatro competências para atingir o sucesso: conhecimento (o que sabemos e compreendemos), habilidades (como usamos o que sabemos), caráter (como nos comportamos e engajamos no mundo) e meta-aprendizado (como refletimos e adaptamos). Segundo diversos especialistas, sistemas educacionais estão falhando em preparar os alunos para se adequarem ao mundo presente e futuro, o que acontece por diversos motivos.

Entre exemplos de casos internacionais e análises sobre o conceitos que circundam a educação, o autor cita a importância de reavaliar currículos pedagógicos pois, ao mesmo tempo em que o conhecimento é essencial, deve-se analisar o que é relevante em cada área para que o currículo reflita as prioridades da aprendizagem e não sobrecarregue estudantes já sobrecarregados. Para Fadel, a matriz das quatro competências pode facilitar o processo de organizar a ampla gama de objetivos educacionais e criar uma forma de organização mais clara, priorizada e útil.

Ensino Híbrido. Personalização e tecnologia na educação – Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Mello Trevisani

Mesmo que a tecnologia faça parte das vidas pessoais de bilhões de pessoas, jovens adultos, por exemplo, cresceram ouvindo seus professores dizerem que a sala de aula não é lugar de celular. A pandemia do novo coronavírus deixou claro que a educação pode, sim, se beneficiar do uso de equipamentos eletrônicos e da internet, desde que com uma intencionalidade pedagógica. No livro Ensino Híbrido, os autores reforçam, entretanto, que o conceito vai além de mesclar tecnologia e a educação formal, e compreende a adoção de diferentes configurações de espaço, formas de aprender, metodologias, currículo mais flexível e outros.

A publicação analisa os dois caminhos seguidos pela educação em seu processo de aprimoramento, evolução e adequação aos novos tempos e demandas. De um lado, estão as alterações progressivas, onde o modelo de disciplinas é mantido, mas o aluno é mais estimulado a se envolver. Do outro, um caminho considerado mais inovador, sem disciplinas e mudanças no currículo, espaços físicos e metodologias utilizadas, priorizando o aprendizado no ritmo de cada criança. Esse modelo dá ênfase à realização de um projeto de vida, por exemplo, além do desenvolvimento de valores e competências amplas de conhecimento e socioemocionais, assim como o equilíbrio entre o aprendizado individual e em grupo.

Preparando os Professores para um Mundo em Transformação. O que devem aprender e estar aptos a fazer – Linda Darling-Hammond, John Bransford

Para os autores, a prática profissional do ensino envolve três áreas gerais de conhecimento, habilidades e disposições que são importantes para qualquer professor adquirir: o conhecimento dos alunos e seu desenvolvimento nos contextos sociais, o conhecimento do conteúdo das disciplinas, habilidades a serem ensinadas e dos objetivos curriculares, e o conhecimento do ensino do conteúdo, dos alunos em sua diversidade, da avaliação e do gerenciamento da sala de aula.

O livro traz referência de diversas fontes e pesquisas para sublinhar a importância dos professores, sua responsabilidade a partir do momento em que escolhem o ensino como profissão e o efeito que exercem sobre o desempenho de seus estudantes. Os autores também pontuam que é possível aprender conhecimentos e habilidades para aprimorar a prática docente e, ao longo de cinco capítulos, abordam aspectos da sala de aula, como currículo, avaliação, gestão da sala de aula e outros. Aspectos como a necessidade de colaboração entre docentes também são analisados ao longo do texto.

Formando Mais que um professor. A essência do ensinar e como impactar a aprendizagem de todos os alunos – Elizabeth Green

Depois de escrever textos jornalísticos sobre educação durante alguns anos, Elizabeth passou a discordar sobre grande parte das metodologias e formas de funcionamento da educação sobre as quais escrevia. O livro “Building a better teacher”, que em português chama-se “Formando mais que um professor”, traz alguns conceitos que a jornalista desenvolveu, como o mito do professor que nasce com essa habilidade “natural”. Para ela, é errado categorizar professores como bons ou ruins, uma vez que ensinar é uma habilidade que requer conhecimento especializado.

Essa “lacuna de entendimento” estaria afetando as políticas educacionais, segundo a autora. O livro foi construído com base em histórias que têm o potencial de desconstruir essa compreensão, como uma dupla de professores que tomou uma abordagem não convencional de ensino para influenciar seus colegas de profissão: eles gravaram suas aulas durante um ano, mantiveram registros próprios e de seus alunos e também possibilitaram que pesquisadores entrevistassem os alunos. Segundo Elizabeth, isso fez com que outros professores pudessem entender como os dois docentes pensam no momento de lecionar e como os estudantes absorvem o conteúdo.

Confira a lista completa de obras indicadas pelo Instituto Península.

Foto: Jannoon28/Freepik

Autoconhecimento e superação: como a jornada sobre emoções ajuda o crescimento pessoal e profissional

Para Carlos Henrique Patrício, diretor de uma escola da rede municipal de ensino de Magé, no Rio de Janeiro, a Vivescer apareceu em sua vida no momento em que mais precisava: quando chegou na escola onde atua, em 2017, passou por processos de luto em sua vida pessoal. “Sabe aquele momento que você precisa encontrar algo novo e diferente, que te faça sentir realizado e, ao mesmo tempo, te dê diversas oportunidades, oriente caminhos e te conduza a novos lugares? Com a Vivescer foi assim.”

Como precisava entender o que sentia, Carlos começou seu percurso na plataforma pela jornada sobre emoções. “Em 2017, meu emocional estava muito abalado. Foi no finalzinho de 2018, a partir da minha interação com a plataforma, que comecei a me fortalecer. A jornada, que estou refazendo atualmente, conseguiu mostrar que precisamos falar sobre nossos sentimentos e o que estamos sentindo. Não somos só divididos entre estar triste ou feliz. Temos muitas outras emoções e a jornada possibilita que a gente se conheça mais e melhor, além de permitir que olhemos para os outros, desenvolvendo empatia.”

É claro que o processo demanda certo tempo e empenho do profissional, sem contar em sua disposição de evoluir. Mas, para Carlos, as mudanças fizeram-se presentes tanto em sua vida pessoal, como na prática profissional. “No dia a dia corrido, eu tinha mania de apenas ouvir. Se continuasse assim, talvez não captasse exatamente o que alunos, professores e a equipe escolar queiram me passar. A partir desse momento, passei a olhar mais para essas questões.”

Colocando os aprendizados em prática

Um dos pontos altos da Vivescer, segundo Carlos, é convidar os educadores e demais profissionais da educação a colocar em prática o que aprendem na plataforma. Em 2019, o diretor criou o projeto Reconstruindo Contextos e Experiências. A proposta, ligada à jornada emoções, usa o filme de animação “Divertidamente” para introduzir os trabalhos da reunião pedagógica de professores da escola.

“Nesse momento, incentivei que cada um analisasse como estava se sentindo exatamente naquela hora e nomeasse a emoção. A partir disso, construí uma dinâmica ligada ao filme.” Segundo o profissional, essa experiência aguçou a vontade de fazer ainda mais atividades.

A prática deu origem à “Linha das Emoções”. Carlos passou uma fita isolante no chão do pátio da escola e fez com que os professores ficassem a uma certa distância. Então, propôs uma volta no tempo: “Eu utilizei experiências emocionais que cada um já tenha vivenciado, e eles iam se aproximando ou não da linha conforme suas realidades”, explica. “Fiz perguntas desde a infância até a prática profissional, como a passagem pelo magistério e a experiência de lecionar. Foi muito bacana porque, de início, os professores estavam com medo e, aos poucos, começaram a interagir demais. A dinâmica durou um bom tempo e deu para todo mundo deixar claro o que sentiu.”

Mesmo depois das duas experiências, o trabalho com as emoções não parou. O corpo docente empenhou-se em momentos de estudo e questões voltadas à parte emocional dos professores, introduzindo também conceitos como competências socioemocionais e a importância de enxergar o aluno de forma integral. “Nós encontramos muitas dificuldades, mas se focarmos só nelas, não obteremos bons resultados. Temos que entender que o aluno é um todo, que tem vontades e possibilidades, só que, muitas vezes, o professor deixa o processo muito ‘engessado’. A jornada também ajudou nesse sentido.”

Envolvimento da equipe da escola e comunidade

Os ensinamentos obtidos na plataforma também motivaram a realização de atividades que envolveram mais do que os professores: alunos, toda a equipe da escola e até mesmo as famílias e comunidade do entorno passaram a fazer parte da chamada Árvore dos Elogios.

Tudo começou quando Carlos pensou em uma forma de professores trocarem elogios entre si. “Às vezes, pensamos que o importante é ter ou ganhar algo concreto para sermos bons. Mas não é assim. Precisamos entender que ser é muito mais importante do que ter.” Segundo ele, quando professores começaram a receber bilhetes reforçando que eles são importantes e que fazem a diferença na escola, teve início um processo de esperança da equipe.

A experiência foi tão positiva que ganhou novos “frutos”. Rapidamente, cada sala de aula passou a contar uma árvore dos elogios para que os alunos também participassem do gesto. Em seguida, os funcionários também entraram na roda, e bilhetinhos para a “tia da cozinha” e para a “tia da limpeza” também passaram a aparecer nas cartolinas. “Aquilo mudou completamente a harmonia do espaço escolar.”

Logo, o movimento também contagiou os pais, mães e famílias dos estudantes, que usaram suas contas pessoais do Facebook e também a página da escola para multiplicar os elogios. “O que estava somente na árvore dentro da escola ganhou novo formato e passou para o Facebook. Era como se tivéssemos feito uma transposição da ideia do elogio para a página dos pais dos alunos e da própria escola. Esse é um grupo que tem muita vontade de fazer e de inovar.”

Próximos passos

Depois da jornada emoções – que está percorrendo pela segunda vez – e da jornada mente, Carlos diz que está ansioso para realizar a jornada sobre propósito, que tem sido elogiada por outros professores. Para ele, ter sido convidado para integrar o time de embaixadores da Vivescer foi motivo de grande alegria. “Quando recebi o convite, não vou mentir: meu coração quase explodiu. A gente se torna grande, não no sentido de ‘poder’, mas na capacidade de estar disponível para ajudar outras pessoas e professores ao participar de uma rede que tem um significado tão grande.”

Escuta ativa abre caminho para professores e gestores se aproximarem dos alunos

Menino com megafone na mão

Uma das maneiras para promover a integração com estudantes neste período de aulas remotas e entender melhor as dificuldades acadêmicas e emocionais que eles enfrentam é realizar processos de escuta. Ao dar a chance para o aluno descrever como está se sentindo ou progredindo, o professor pode ter uma ideia melhor sobre seu desenvolvimento e traçar soluções.

Escutar os estudantes significa criar oportunidade para que possam compartilhar opiniões sobre diferentes assuntos, desde os mais corriqueiros, como brincadeiras durante o tempo livre em casa e as atividades pedidas pelo professor, até os mais complexos, como mudanças no currículo e na organização dos horários.

Para engajar os alunos, essas consultas precisam ser realizadas com o suporte de dinâmicas e linguagens compreensíveis e estimulantes para eles. Também precisam ser inclusivas, para que capturem múltiplas vozes, mesmo as mais silenciosas e dissonantes. Afinal, mesmo para quem consegue realizar aulas síncronas neste momento, nem sempre é possível ver uma mão levantando ou identificar quem timidamente tenta pedir a voz em meio ao mosaico de carinhas na tela.

Marisa Villi, cofundadora e diretora executiva da Rede Conhecimento Social, que já coordenou diversas pesquisas com crianças e jovens, diz que esse processo de escuta ativa pode ser iniciado desde cedo, com crianças de fundamental 1, que podem fotografar sua rotina em casa durante o período de aulas remotas. “É basicamente perguntar como a criança gosta de brincar em casa. É uma pergunta simples e que pode ser muito reveladora”, explica Marisa. “As coisas que ela gosta de brincar quando está dentro de casa servem para nos dizer um conjunto de coisas: ela está sozinha ou acompanhada por adultos, mexendo em um brinquedo pré-fabricado ou com alguma brincadeira mais complexa?”.

A interpretação dessas imagens, feitas em discussões em grupo ou de forma mais individualizada, pode dar ao professor uma visão mais clara sobre a experiência da criança em casa e também facilitar a comunicação com as famílias. “Uma criança que está se sentindo muito sozinha, vai tirar fotos de brinquedos que retratem esses momentos em que ela se fecha, seja por conta do mundo ao seu redor ou porque ela está procurando isso”, disse Marisa.

Com os mais velhos, a partir do fundamental 2, já é possível pensar na adoção de questionários, incluindo perguntas mais diretas sobre como os estudantes estão ou não conseguindo estudar neste momento, os conteúdos que eles consideram mais relevantes e como eles têm acessado.

“O processo de escuta sempre apoia o diálogo entre os diferentes. Por mais simples que seja, um questionário pensado pelo gestor escolar para escuta dos alunos, da equipe pedagógica e das famílias permite fazer uma leitura das expectativas. Cabe ao gestor, mais tarde, pensar no que pode realizar”, diz Marisa, que ressalta que desde a elaboração das perguntas até a análise dos resultados precisa dar chance ao diálogo.

Assim como funcionava nas aulas presenciais, no contexto de aulas remotas é importante considerar que a opinião dos alunos mais “comportados, extrovertidos e eloquentes” não deve se sobrepor à dos mais “rebeldes, tímidos ou que apresentam dificuldade de se expressar”. Todas as perspectivas precisam ser contempladas. Só assim o professor conseguirá ter um quadro geral das necessidades da turma e do impacto das atividades que tem desenvolvido.

Para que o processo seja efetivo, aqueles que escutam devem ainda ter a sabedoria de não se colocar na defensiva, nem se sentir pressionados a acatar tudo o que é sugerido. No entanto, devem realizar devolutivas consistentes, que deem transparência às percepções e propostas coletadas e indiquem como elas serão tratadas. Um processo de escuta dos estudantes e da equipe escolar pode ter efeito reverso quando não gera consequências concretas.

Foto: asier-relampagostudio/Freepik

Do presencial para o online: como combater a indisciplina em aulas virtuais

Indisciplina

O fechamento das escolas e suspensão das aulas, com migração da educação principalmente para o ambiente virtual, fez com que toda a equipe escolar e as famílias precisassem se adaptar a uma nova modalidade, até então pouco utilizada de forma recorrente: a educação mediada por tecnologia.

É intuitivo dizer que, com a novidade, surgiram também novos desafios, inéditos para todos. Um deles é a indisciplina virtual. Conversas paralelas, trocas de bilhetes durante a aula e risadas e brincadeiras fora de hora, comportamentos que todos os professores já enfrentaram em algum momento de suas carreiras, deram origem a câmeras desligadas, conversas fora de hora nos bate-papos das transmissões de aula ou no WhatsApp, bullying virtual e até situações mais graves de desrespeito em tempos de ensino remoto.

Em um momento de pandemia, incertezas sobre o futuro e ânimos a flor da pele, como é possível, mesmo à distância, estabelecer combinados que ajudem a criar um ambiente propício para o ensino e a aprendizagem?

Para Adriana Ramos, pesquisadora, especialista em classes consideradas difíceis e coordenadora do curso de pós-graduação em Relações Interpessoais na Escola pelo Instituto Vera Cruz, é preciso, em primeiro lugar, diferenciar situações de indisciplina, caracterizadas pela quebra de combinados presentes no contrato pedagógico, e casos de desrespeito que vão além ao envolver agressão verbal e atitudes como exposição de imagens e vídeos impróprios.

“É claro que a indisciplina é um desrespeito com o professor e com o grupo, uma vez que atrapalha atingir o objetivo da aula. Mas essas são as chamadas incivilidades, quase como microviolências. Entretanto, existem inúmeros e milhares de relatos de situações de desrespeito profundo”, explica Adriana.

Segundo a coordenadora, o ambiente virtual confere uma falsa ideia de proteção, uma vez que é possível logar nas salas de aula virtuais com nomes falsos, ou até mesmo passar as informações de login para uma pessoa de fora do círculo da turma.

O desafio da novidade

Para Adriana, não se tratam de novas indisciplinas, mas sim de um novo ambiente. A partir de sua experiência no contato com docentes e coordenadores pedagógicos, ela afirma que as ocorrências eram muito mais numerosas no início do processo, quando estudantes e professores ainda estavam explorando o ambiente online. A diminuição dos casos, entretanto, não significa que não acontecem mais, mas sim que conversas paralelas, por exemplo, são realizadas em conversas privadas.

Além disso, existem questões delicadas relacionadas às aulas online, como o fato de que o professor entrou na casa dos estudantes, onde as famílias têm fácil acesso às aulas e, em alguns casos, ocorrem conflitos, por exemplo, entre pais e docentes no horário das transmissões.

Também é importante considerar que a quase totalidade das instituições de ensino não estavam preparadas para essa nova realidade, fazendo com que muitas decisões tomadas precisassem ser revistas ao longo do caminho. “Escolas conteudistas, que tinham um ensino muito diretivo, por exemplo, migraram para o virtual e decidiram conferir aos alunos uma autonomia que eles não tinham. Isso gera várias situações de indisciplina porque há a criação de um ambiente de insegurança. Também não foi positivo o caso de algumas escolas que optaram por fazer a transposição exata do ambiente real para o virtual. Aulas expositivas, com lousa e pouca interação, geram um sentimento de frustração muito grande no professor, porque ele sente que fica falando sozinho”, explica Adriana.

A importância do diálogo

Para a especialista, é o tipo de situação que irá determinar a forma com que a escola deve tratar o caso. Separar situações de indisciplina de casos mais graves de desrespeito é o primeiro passo. De qualquer maneira, ela aconselha que as instituições mantenham o que já deviam fazer no ambiente presencial: investir em uma relação dialógica.

Para casos mais leves, nos quais nenhuma violência foi cometida, Adriana sugere o uso da leveza e bom humor, ferramentas que podem ajudar a redirecionar a atenção da turma. Intervir em brigas e ofensas entre os próprios estudantes nos chats das transmissões online, por exemplo, também é importante. Por isso, são positivas as experiências de docentes que trabalham em duplas: enquanto um monitora as interações por texto, outro fala com a turma.

Já para situações graves de desrespeito, a especialista reforça a importância de os docentes se indignarem e imporem limites, mas nunca faltando com o respeito, o que pode agravar o caso. “É muito mais um movimento de o professor conseguir aproveitar esse momento para falar da situação. Muitas vezes a escola quer saber quem fez para punir e acabar com o caso, mas isso não é educativo. É muito melhor conversar com a turma, onde o professor pode expressar como se sentiu, ouvir os alunos e pensarem juntos em formas de, enquanto um grupo, conseguirem organizar uma aula online. Reconhecer que isso é difícil também é importante e que, apesar de ninguém querer estar nessa situação, deverão fazer da melhor forma enquanto ela permanecer.”

Segundo ela, não são raros os casos de estudantes que enviam e-mails para a escola fora do horário de aula, afirmando saber quem foi que cometeu algum tipo de deslize nas aulas online. “Os alunos ficam querendo achar culpados, o que reflete a postura da escola, mas ninguém defende o professor ou outro colega na frente do grupo todo. O que desqualifica as ações de indisciplina e faz com que elas parem de acontecer é quando o coletivo é mais forte. A conversa com o grupo é importante não só para que não se legitime esse tipo de ação, mas para que alguém fale ‘não acredito que fizeram isso com a professora’”.

Nos casos em que a situação se repete, uma das opções é envolver, também, a família ou os responsáveis pelo estudante e, em uma reunião, fazer o chamado “acordo educativo”, onde se estabelece o que é ou não permitido e qual é a postura esperada do aluno. “No acordo educativo, ficam claros quais são os princípios e valores da escola e o que não será mais permitido. Se as situações voltarem a acontecer, a escola estará, inclusive, autorizada a usar outras sanções. Normalmente, as instituições de ensino acabam advertindo, suspendendo ou até excluindo o aluno, o que só adia ou transfere o problema. Mas o trabalho com a autorregulação leva tempo, é algo a ser construído.”

 

Foto: Freepik

Encontrar tempo para autocuidado é fundamental em meio à rotina de aulas remotas

Desenho de uma mulher cumprindo muitas tarefas

Faça o exercício de perguntar a um professor ou professora quantas funções ele acumulou desde que as aulas presenciais foram suspensas em razão da pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Muito provavelmente as novas tarefas não caberão nos dedos de uma mão.

Se antes da pandemia docentes já tinham suas vidas sobrecarregadas, a quarentena e a lógica das aulas remotas impuseram uma nova realidade: além de precisarem se adaptar a plataformas digitais – com as quais a maioria não tinha familiaridade –, os docentes tiveram que aprender a fazer roteiros, gravar e editar vídeos, lidar com demandas 24 horas por dia, tirar dúvidas por WhatsApp e Facebook, dar suporte às famílias e, somado a tudo isso, equilibrar tarefas domésticas e cuidados com os filhos. Nessa equação que parece não caber dentro de um dia, onde fica o cuidado consigo mesmo?

A primeira e a segunda etapa da pesquisa “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do coronavírus no Brasil”, realizada pelo Instituto Península, mostraram que os respondentes estão dedicando mais tempo a organizar a vida pessoal e familiar, incluindo questões do lar (71% no primeiro levantamento e 66% no segundo), e trabalhar nas atividades da(s) escola(s) (62%). Entretanto, se antes eram 30% os que afirmavam investir em momentos de autoconhecimento e autocuidado, como preces e meditação, o índice passou para 25%.

Falta tempo?

Silvia Breim, educadora, naturóloga, coordenadora de conteúdo da plataforma Vivescer e facilitadora da abordagem integral, afirma que existe uma soma de fatores que podem explicar a falta de dedicação a ações de autoconhecimento e autocuidado.

De um lado, professores ainda estão se adaptando ao universo online, muitas vezes tendo que buscar ativamente por novas ferramentas, tutoriais e treinamentos que o ajudem a preparar as novas aulas em ambientes virtuais. É um momento de exigência que soma-se à pressão imposta pela burocracia e à vontade de realmente ser bem-sucedido nessa nova função de educador à distância, ainda que temporariamente.

Do outro lado, a educadora defende que é necessário desconstruir a ideia de que ações de autocuidado demandam muito tempo. “Todos nós temos a sensação de que precisamos de muitas horas ou de que dez minutos não são suficiente para praticar o autocuidado.”

Por que investir nisso? 

À toda essa realidade de novos formatos de aula e interação com os estudantes, entram na equação demandas da casa e o cuidados com os filhos que, por sua vez, também estão aprendendo pelo ensino remoto e muitas vezes precisam de assistência. Então, em meio a tantas tarefas, por que deve-se separar um tempo para investir única e exclusivamente em você?

Para Silvia, essa ação é fundamental para que cada pessoa tenha mais recursos a sua disposição em momentos desafiadores, como o que está posto atualmente. Investir em autocuidado e autoconhecimento proporciona a sensação de que há algo a ser feito frente às adversidades que, muitas vezes, não podem ser controladas. “Conhecer diferentes recursos pode te ajudar a alcançar um estado de mais equilíbrio, plenitude, menos angústia e ansiedade. São ferramentas que podem ser usadas todas as vezes que você se perceber nessas situações.”

Além disso, um ser humano é composto de várias esferas: suas emoções, corpo físico, sua cidadania, trabalho, família, amigos e muitas outras, além de fazer parte de dimensões que são alteradas de acordo com as ações da população. Silvia explica que alterações em qualquer esfera ou dimensão produzem impactos sistêmicos nas outras. É intuitivo pensar que uma pessoa mais equilibrada, calma e estável provavelmente terá relações mais saudáveis do que uma pessoa irritadiça.

“O autoconhecimento e autocuidado são desafiadores, até porque não fomos ensinados sobre isso. A nossa educação é muito mais voltada para perceber o que se passa fora do que aquilo que se passa dentro. Mas há uma relação intrínseca entre o fora e o dentro.”

O que pode ser feito?

Para alcançar o equilíbrio entre tarefas pessoais e profissionais ou, ao menos, encaixar momentos de autocuidado na agenda, Silvia dá duas dicas.

– Entender qual é a sua rede de apoio

Silvia afirma que é necessário expandir a rede de apoio e compreender que essa vai além da avó que, no momento, está impossibilitada de ficar com os netos. Também compõem essa rede vizinhos e amigos para os quais é possível telefonar nem que seja para dividir as angústias.

“Podem ser coisas muito simples. Você pode combinar com um vizinho que, em um dia, ele vai cozinhar mais comida e deixar na sua porta, e no dia seguinte você faz o mesmo por ele. Cozinhar demanda tempo e esse tipo de iniciativa libera um tempo da agenda que você pode usar para você ou simplesmente para não fazer nada, já que a sobrecarga é tanta: temos que lidar com a casa, com a cozinha, com filho, trabalho, relacionamento. São muitas esferas ao mesmo tempo.”

– Separar intervalos de dez minutos durante o dia

Muitas pessoas passam mais de uma hora por dia empenhadas em rolar a linha do tempo nos inúmeros aplicativos de redes sociais, tempo que poderia ser melhor empregado em momentos de autoconhecimento e cuidado. Silvia indica e compartilha que ela mesma faz sua “lista do dez minutos”, ou seja, enumera ações que podem ser feitas nesse intervalo entre uma tarefa e outra, como tomar um banho, tomar uma xícara de chá ou sentar em frente à janela para dar um descanso de olhar telas o dia todo.

“Essas pausas são importantes para alternar entre estar fazendo alguma coisa e se cuidando. Se você conseguir encaixar mais de uma pausa por dia, ótimo. Mas eu indico começar com uma. Se inserirmos muita coisa, a tendência é que a gente não consiga fazer. Então deve-se começar com o que cabe na rotina, sem querer abraçar o mundo. Começar devagar faz com que possamos ganhar essa ‘musculatura’ e, quando ela está trabalhada, fica mais fácil de propor outras coisas.”

Como desenvolvimento integral ajudou engenheiro encontrar seu propósito na educação

Felipe Herszenhaut“Quanto mais certeza temos do nosso propósito, mais completos estaremos em nossa prática, que poderemos fazer de forma muito melhor.” Por mais inspiradora que essa reflexão seja, ela não veio fácil para Felipe Herszenhaut, professor-embaixador da Vivescer.

Tutor pedagógico de uma turma de 30 educadores da rede estadual de São Luís, capital do Maranhão, a trajetória de Felipe na educação conta com algumas particularidades. Formado em engenharia de produção, trabalhou durante cinco anos na área de operações de uma organização de saúde. Com a chegada de uma nova pessoa na área de recursos humanos da empresa, que trouxe consigo uma abordagem de desenvolvimento integral para a organização, Felipe começou a ver as coisas mudarem.

“Essa história de falar de propósito dentro do ambiente de trabalho e do desenvolvimento humano não só para o objetivo do que tem que ser entregue em uma tarefa, por exemplo, foi o que começou a trazer o meu olhar para a educação como algo que eu gostava e tinha muito a ver com o que me movia”, explica o educador.

Em um avanço rápido, Felipe mudou o rumo de sua carreira e já deu aula de física em uma escola estadual do Espírito Santo, antes de mudar para o nordeste. Quando conheceu a Vivescer, ainda em sua primeira versão, e se deparou com uma proposta de desenvolvimento integral, ficou empolgado. “Apesar de essa proposta existir na educação, geralmente quem fala de desenvolvimento integral são escolas privadas de elite. Então é muito legal a Vivescer falar sobre isso e disponibilizar o conteúdo para o desenvolvimento de professores da escola pública de todo o Brasil.”

Navegação na plataforma

Como um dos primeiros usuários da Vivescer, Felipe conheceu a plataforma quando somente a jornada sobre emoções estava disponível. Para ele, descobrir e ter acesso aos conteúdos lhe causou uma sensação de completude, como se tivesse adquirido novas ferramentas de trabalho.

“Eu copiei em um pedaço de papel e deixo acessível uma tabelinha apresentada na trilha que fala das emoções básicas e vários sentimentos. Toda vez que estou sentindo alguma coisa diferente, eu paro, dou uma lida e tento entender. Essa técnica tem me ajudado a dar mais atenção aos sentimentos e emoções, e não apenas deixá-los passar”, reforça o educador.

Além disso, ele pontua que terminar os conteúdos de forma mais rápida não está entre seus objetivos e, por isso, leva seu tempo para fazer reflexões sobre cada ensinamento. Para Felipe, a navegação no site tem sido, em meio a tantas incertezas, “um momento de reflexão agradável, com mensagens positivas, que busca olhar para um futuro possível.”

Na prática

Seu trabalho como tutor consiste em assistir a aula dos professores, fazer observações em notas e, posteriormente, conversar para implementar melhorias durante a “coinvestigação”. Esse processo foi interrompido em função do distanciamento social imposto para conter o avanço do novo coronavírus e, por isso, o trabalho online com os educadores tem envolvido discussão sobre planejamento e avaliação de atividades e engajamento dos alunos, com a busca de alternativas e soluções a partir das queixas dos educadores.

A jornada incentivou que Felipe passasse a trabalhar mais com os educadores para que eles conseguissem identificar as emoções em suas falas, o que tem sido útil em um momento de frustrações e incertezas sobre ensino a distância e a maneira com que os alunos estão recebendo as atividades, por exemplo.

“As pessoas procuram referências mas, enquanto professores, não nos sentimos confortáveis em compartilhar, com medo de que tenha algo errado. Precisamos nos apoiar nesse processo e compartilhar para que nos ajudem a melhorar. É um processo de nos aceitar vulneráveis e se abrir.”

Tecnologia possibilita visita a museus e estudo da arte sem sair do sofá

Mona Lisa no museu do Louvre

Vivenciar o estilo neoclássico de Richard Morris Hunt na entrada do Metropolitan Museum of Art (MET), em Nova York, entender um pouco mais sobre a construção da Acrópole de Atenas, na Grécia, com uma visita ao Museu da Acrópole, mergulhar em fotos e imagens sobre o Holocausto no Yad Vashem, centro mundial de memórias do holocausto e passear pelos corredores da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Tudo isso sem sair do sofá.

Esse é um dos pontos altos da tecnologia quando o assunto é arte: oferecer visitas virtuais em sites e plataformas como o Google Arts & Culture. Em um período de aulas suspensas e escolas fechadas, uma das possibilidades é investir na exploração dessas ferramentas  para desenvolver o lado artístico de qualquer professor ou oferecer complementos para atividades a serem realizadas com os alunos. Mais do que preencher a lista de atividades remotas, a arte desempenha papel de provocar reflexões e novos pontos de vista sobre o momento atual.

Para Roseli Alves, psicopedagoga e coordenadora-geral do Instituto Arte na Escola, o momento atual pede muito mais do que encarar arte como uma disciplina e interpretações acadêmicas, centradas nos elementos constitutivos das obras, por exemplo. “O interessante é observar a imagem, pensar e falar sobre ela e as sensações despertadas em si mesmo pela obra”.

“Esse é um grande exercício que temos feito em cursos de formação de professores: entender o que cada um percebe a partir de uma obra, e não questionar o que ela quer dizer. É uma proposta de aguçar a estesia, algo muito presente em uma cultura visual como a nossa, na qual os alunos se deparam com imagens a todo momento. Dessa conversa sobre imagens surge uma enorme potência de discutirmos arte”, afirma Roseli.

A importância de direcionar o olhar

Entre museus de arte clássica, moderna e contemporânea, a psicopedagoga exemplifica o trabalho com a arte dos nossos tempos. “Os alunos podem observar o que mudou, quais são os tipos de registros artísticos vigentes. Então, ao entrar num museu e se deparar com uma pintura clássica e outra contemporânea, é possível propor uma atividade sobre as sensações que essas obras causam.”

O trabalho com as materialidades também é importante. Segundo Roseli, os processos de observação, leitura e apreciação de obras que utilizam diferentes matérias-primas  conseguem despertar olhares dos estudantes e tirá-los de uma posição de consumidores. “Se não houver processo de criação, o ensino de arte não existe. Então promover a realização de uma composição ou uma assemblage, que é uma linguagem bem contemporânea, permite a pesquisa de objetos pela cor, forma ou pelo campo de sentido que desperta no aluno.”

Para a especialista, todos os apoios e avanços permitidos pela tecnologia precisam ser acompanhados de processos onde as crianças verdadeiramente coloquem a mão na massa e experimentem. “Se for ver uma exposição de fotos em um museu, que a proposta vá além e incentive que os próprios alunos também tirem suas fotos. Dessa forma, a criança não fica sentada apenas consumindo tecnologia. Além disso, também é importante fugir da releitura. Hoje a sociedade pede pessoas criativas e queremos formar indivíduos que possam usufruir da arte para produzir, experimentar e ter embates com a matéria quando, por exemplo, tentam fazer tintas com beterraba ou açaí”, explica Roseli.

O que visitar? 

Para guiar as visitas online, Roseli elencou algumas dicas imperdíveis entre museus, obras e filmes.

Instituto Arte na Escola
O próprio site do Instituto Arte na Escola reúne inúmeros materiais em sua Midiateca que podem ajudar o professor na elaboração de aulas voltadas à arte. Na aba vídeos, por exemplo, é possível assistir produções sobre diversos artistas e movimentos, como o cubismo. Também estão disponíveis kits educacionais que orientam o trabalho com arte, como o Eco Art, que apresenta proposições pedagógicas que partem da leitura de imagem e do diálogo entre o discurso poético das obras e o meio ambiente. A página planeje sua aula reúne dicas e orientações para explorar e aproveitar ao máximo as ferramentas do site.

Pinacoteca do Estado de São Paulo
Localizada em um edifício que data de 1900, no centro de São Paulo, a Pinacoteca do Estado de São Paulo é um dos parceiros dos acervos parceiros do Google Arts & Culture. Sendo o mais antigo museu de arte da cidade, reúne obras com ênfase na arte brasileira do século 19 até a contemporaneidade. A partir de câmeras estrategicamente posicionadas, é possível passear pelos corredores e ver um pouco das 11 mil peças que compõem o acervo, que conta com nomes como Anita Malfatti, Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Candido Portinari, Oscar Pereira da Silva, entre outros.

Instituto Moreira Salles
O Instituto Moreira Salles, que reúne obras nas áreas de fotografia, música, literatura e iconografia, organizou uma aba especial no site chamada #IMSquarentena, com o objetivo de contribuir com reflexões sobre o cenário da pandemia e sobre a criação artística nesse período, além de oferecer um espaço virtual que promova a criatividade e a solidariedade. Para inspirar os visitantes online, estão disponíveis podcasts, ensaios do acervo, trabalhos inéditos e indicações de leitura sobre a atual conjuntura. Outro ponto interessante é conhecer particularidades do museu pelos olhos de funcionários e colaboradores do IMS na série Afinidades IMS.

Google Arts & Culture
Com a missão de ‘preservar e disponibilizar online a arte e cultura do mundo para que seja acessível para qualquer pessoa, em qualquer lugar’, o Google Arts & Culture é uma plataforma gratuita que, em parceria com mais de dois mil museus e acervos do mundo todo, disponibiliza visitas virtuais e possibilita que, do sofá de casa, qualquer pessoa com acesso à internet possa entrar em contato com diferentes tipos de arte. É possível filtrar os resultados no site pela proximidade, perfil, coleções, temas, artistas, materiais utilizados, eventos, figuras históricas e muito mais. Você vai notar que o conteúdo está disponível em inglês, mas clicando em “Explorar”, na barra superior, é possível visualizar partes do conteúdo traduzido.

Experiment 120
Experiment 120 é uma iniciativa da artista e curadora Marie-Pierre Bonniol, que reuniu, em uma playlist de YouTube, 22 filmes para que crianças e adolescentes possam conhecer 120 anos de filmes experimentais. Criada especificamente para o período de fechamento das escolas, a playlist, montada com apoio de crianças de sete anos, explora pesquisas do cinema abstrato experimental, com diferentes tipos de arranjos e composições de formas. Com diferentes propostas e durações, os filmes datam desde 1898, com Georges Méliès, até 2017. Clicando aqui você encontra o conteúdo traduzido com a ajuda do Google Tradutor.

Foto: Eric TERRADE/Unsplash

Cursos para apoiar educadores durante a pandemia do coronavírus

Oportunidade de começar uma nova vida simbolizada por porta aberta

A adoção de aulas remotas mediadas pela tecnologia em razão da suspensão das aulas e fechamento de escolas para conter o avanço do novo coronavírus (COVID-19) vem provando que ainda é preciso percorrer um longo caminho para que a educação a distância seja realmente efetiva. De uma hora para outra, educadores foram colocados diante de novas dificuldades para engajar seus alunos.

Aqui na Vivescer, entendemos que educação é muito mais que transmitir conteúdos, seja de forma presencial ou online. Por isso, separamos dicas de cursos que favorecem o autoconhecimento e o desenvolvimento docente como profissional e como pessoa, o protagonismo do estudante no processo de aprendizagem, ou ainda auxiliam a preparação de aulas online.

Outras plataformas do Instituto Península, como a do programa de educação esportiva Impulsiona e a do Instituto Singularidades, também oferecem cursos a professores de diferentes áreas sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e metodologias ativas mediadas pela tecnologia.

Confira a lista abaixo:

Jornadas de Aprendizagem Vivescer
Na Vivescer, professores encontram notícias sobre o universo docente, conteúdos e dicas sobre ensino-aprendizagem e, principalmente, um conjunto de cursos online fundamentados em quatro linhas de desenvolvimento: corpo, emoções, mente e propósito. Dentro de cada linha, são exploradas quatro dimensões da realidade: as experiências, comportamentos, relações e sistemas com os quais nos relacionamos. Dessa forma, são 16 percursos de aprendizagem a serem percorridos para que o docente não só reflita sobre suas práticas e métodos enquanto professor, mas também como o funcionamento de suas emoções, por exemplo, afeta sua capacidade de aprender e ensinar. As atualizações são constantes e vale anotar na agenda: um novo percurso é adicionado todas as quintas-feiras. 

Impulsiona
O Impulsiona é um programa de educação esportiva que utiliza o esporte como ferramenta para promover o desenvolvimento integral dos alunos. O programa Impulsiona oferece diversos cursos online gratuitos por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (AVAMEC) para coordenadores pedagógicos, professores de Educação Física e educadores de alunos líderes. A carga horária e o tema de cada curso são definidos de acordo com o público-alvo. Todas as formações possuem certificação com números de horas e chancela do MEC.

Além das formações específicas para educadores esportivos, existem outras ofertas de temática mais abrangente. Destaque para o curso BNCC na Prática: do currículo à sala de aula. Com carga horária de 20 horas, o material é destinado a professores, coordenadores pedagógicos e profissionais de Secretarias de Educação responsáveis pelo currículo e formação de professores. São três módulos que contemplam os ensinos infantil, fundamental e médio, e que contam com videoaulas, fóruns de discussão e sugestões de atividades.

Instituto Singularidades
O Instituto Singularidades é reconhecido como referência nacional para a formação inicial e continuada de professores e especialistas em educação e tem como meta contribuir para a formação de professores em nível superior nas áreas prioritárias da Educação nacional. Três cursos pagos estão sendo oferecidos gratuitamente durante o período de pandemia. Basta ir até o site e fazer a inscrição. O curso está sinalizado com o valor de R$ 0,00 e, para fazê-lo, prossiga como se fosse uma compra (mas nada será cobrado!)

– O ensino híbrido parte do princípio de que muito do que é feito em sala de aula precisa ser mantido, mas que novas práticas envolvendo tecnologias devem ser implementadas para potencializar os processos de ensino e aprendizagem. Para que isso vire realidade, é necessário pensar sobre o papel do professor, espaço de ensino, experiência do aluno e formas de avaliação e tecnologias potencializadoras.  O curso Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação está gratuito até o dia 13 de Maio e permite que essas reflexões e práticas aconteçam.

– Você sabia que a BNCC também propõe práticas pedagógicas para a creche?
Os professores da primeira infância podem garantir às crianças os seis direitos da aprendizagem (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se) junto aos campos de experiência e os objetos de aprendizagem! Para saber mais sobre o assunto, o curso on-line BNCC na Creche: bebês em foco foi pensado nessa faixa etária e em como a BNCC pode ser aplicada diariamente com os bebês.

– Você sabe qual a importância de ler para crianças e adolescentes? Além de trabalhar a imaginação, é possível também contribuir para o desenvolvimento da identidade, apoiar o compreendimento das relações familiares e cultivar o vínculo afetivo. Para aprofundar mais sobre o assunto, o Singularidades está com acesso livre para o curso “Ler em Rede”, que trata sobre a mediação na formação de leitores.

Foto: bedneyimages/Freepik

‘Precisamos cuidar da gente para cuidar dos outros’, afirma professor

Dente-de-leão

“Os professores precisam compreender que devem cuidar de si, porque a sala de aula precisa que eles estejam bem”. Essa é apenas uma das reflexões realizadas por José Souza dos Santos, professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental 2 da Escola Municipal Maria Dias Trindade, localizada em Paripiranga, na Bahia.

Há dois anos, José esteve presente ao lançamento da Vivescer, realizado em São Paulo (SP). Desde então, o professor já realizou duas das quatro jornadas disponíveis no site: emoção e mente. Cada uma conta com percursos formativos elaborados para apoiar a formação e desenvolvimento profissional e pessoal do docente.

Apontando caminhos

José conta que, na época em que conheceu a plataforma, estava desenhando o projeto “Vamos Conversar”, criado para ajudar os alunos a lidar com questões emocionais como ansiedade, estresse e depressão. Além de perceber que suas convicções estavam alinhadas com o que a plataforma propunha, o professor reforça que os percursos apontaram caminhos, possibilitando que ele percebesse como promover a integração de conteúdos, por exemplo.

“Nós vivemos em um modelo de educação em que é preciso promover a interdisciplinaridade. Então, se você quer trabalhar emoções em sala de aula, não é preciso criar uma disciplina para isso, mas realizar discussões sobre o tema nas aulas de português, matemática, geografia. Foi ótimo porque, dessa forma, não ficou um projeto fixo”, explica o docente.

José Souza dos Santos, professor de Língua Portuguesa e embaixador da Vivescer
José Souza dos Santos, professor de Língua Portuguesa e embaixador da Vivescer

A experiência rendeu frutos. Tempos depois, José criou o “Crônicas do Meu Lugar”. Como professor de Língua Portuguesa, propôs que os alunos escrevessem sobre as comunidades onde moram. “Quando produzimos textos autorais, acabamos falando sobre nós mesmos. E assim descobri que muitos estudantes sofrem com questões relacionadas à ansiedade e depressão.”

Apostando mais uma vez na conexão entre as diferentes áreas do conhecimento, José foi tocando o trabalho com estudantes e colegas de profissão, até perceber uma oportunidade de ampliar o projeto. “Depois de um tempo, percebemos que trabalhávamos com os alunos, mas esses voltavam de suas casas ‘desconfigurados’, porque a família também precisava ser envolvida. Assim, passamos a enxergar a plataforma de uma maneira mais integrada, possibilitando também o trabalho com os pais.”

Autoconhecimento

Para José, um dos pontos de destaque da plataforma é incentivar não só a formação do professor, mas seus cuidados pessoais. Na jornada “emoções”, ele destaca o percurso que ensina os docentes a fazerem meditação guiada. “Aprender a fazer automeditação me ajudou bastante porque sabemos o quanto isso acalma a alma e traz uma paz interior, além do autoconhecimento. O professor pensa que só tem o trabalho de sala de aula e assim esquece de si mesmo. Mas precisamos cuidar da gente para poder cuidar dos outros.”

Para o docente, a descoberta e exercício do eixo de autocuidado reflete-se no trabalho em sala de aula de maneira positiva. A solidão docente também é apontada como um desafio que a Vivescer ajuda a enfrentar. O educador destaca o fato de a plataforma abrir espaço para a troca de experiências e de conteúdos, considerando os diálogos e a criação de redes.

Fotos: 024-657-834/Pixabay e Arquivo pessoal

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