Alunos estão assistindo às aulas online na velocidade 2x. E agora?

Para o educador, o desafio está relacionado à falta de adaptação das aulas do ambiente presencial para o online e relação diferente das novas gerações com questões como espera e paciência.

velocidade aulas online

É fato que, em março de 2020, eram raras as pessoas que imaginavam que a pandemia se prolongaria por tanto tempo no Brasil. Entretanto, um ano e meio depois, o país continua enfrentando questões decorrentes das medidas diante da crise. Um desses debates é a aceleração dos vídeos e aulas online pelos estudantes em um movimento de reduzir o tempo que ficam em frente às telas.

Assim como diversos outros temas no universo da educação, o debate é complexo, uma vez que o fenômeno tem diferentes causas. Doug Alvoroçado, professor da rede pública do Rio de Janeiro (RJ) que trabalha com implementação de tecnologias em sala de aula, explica que o ponto de partida nessa discussão é entender que os alunos desse momento são muito diferentes dos estudantes de outras épocas.

Na sala de aula presencial, o poder do estudante sobre seu contexto era menor. No ambiente online, essa criança ou jovem ganha o poder de pausar o vídeo de explicação do professor, voltar, acelerar ou até ver depois. “Assim como todo mundo, o aluno tem uma vida corrida. Com esse novo poder sobre a fala do professor, ele pode acelerar o que já sabe para dedicar esse tempo a outros estudos e voltar e assistir de novo o que não entendeu.”

Além disso, para o pedagogo, o aceleramento das videoaulas tem outras explicações, como um possível desinteresse. Depois de tantos meses de aulas a distância, o desafio de encontrar recursos, ferramentas e formatos que despertam a atenção dos alunos é um desafio ainda maior. Para Doug, aulas consideradas maçantes podem incentivar que os alunos acelerem o conteúdo.

“Se a aula estiver chata ou desinteressante, o aluno pode estar só marcando presença enquanto faz outra coisa ou fica no celular, ou pode acelerar o vídeo para cumprir aquela obrigação logo, mas não podemos afirmar essa relação sem uma pesquisa mais aprofundada”, explica.

Sociedade impaciente

Outro fator que desempenha papel importante na escolha por acelerar o conteúdo é o funcionamento da sociedade na qual escola, alunos e professores estão inseridos. Para Doug, a lógica atual é a de acelerar todos os processos, devido à impaciência e a uma possível percepção diferente dos tempos e processos pelas gerações mais novas.

“Eu costumo usar o exemplo do desenho. Se eu queria assistir um desenho, precisava esperar a hora específica e só assistir um novo episódio no dia seguinte. Essa geração faz maratona, assiste o desenho, filme ou série de uma vez só e na hora que quiser. Por isso, crianças e jovens estão desacostumados com a questão da espera, o que se reflete na forma com que consomem material.”

De acordo com o professor, essa questão, ligada diretamente às habilidades socioemocionais, pode ter efeitos não apenas na aprendizagem, mas também no próprio perfil do aluno, que torna-se cada vez mais impaciente.

Não é possível afirmar que há uma relação de causa e efeito entre vídeos acompanhados de forma acelerada e conteúdos absorvidos de forma superficial, mas essa possibilidade existe e deve ser considerada no debate.

“Acredito que quando uma aula começa a despertar a impaciência do aluno, ele vai acelerar o vídeo, o que pode fazer com que perca detalhes e informações preciosas. Não acredito que o prejuízo é na fixação do conteúdo, porque eu quero crer que esse estudante entende e conhece seu próprio ritmo de aprendizagem”, pontua Doug.

O desafio da transposição do conteúdo

Para o educador, o debate em relação à aceleração dos vídeos está relacionado à dificuldade que escolas, universidades e outras instituições de ensino encontraram e ainda enfrentam na entrega de conteúdos e realização de uma educação de forma remota. Segundo Doug, o Brasil vive uma educação digitalizada, e não uma educação remota digital, ou seja, a mesma aula que antes era ministrada no ambiente presencial passou para o online, sem adaptações para esse novo formato e ambiente.

Entretanto, o pedagogo reforça a importância de sempre realizar um movimento de considerar as potencialidades de cada formato. “O digital pode oferecer recursos e dinâmicas diferentes daquilo que o presencial possibilita.”

Uma dessas ferramentas pode ajudar, inclusive, no desafio da impaciência dos estudantes. Doug cita o Edpuzzle, uma funcionalidade que permite ao professor inserir questionários interativos, perguntas e desafios no meio de vídeos, questionando sobre o conteúdo ou sobre trechos anteriores do vídeo. O aluno só pode avançar se atender à proposta. “Essa é uma maneira de o estudante estar presente de verdade.”

Outra estratégia que pode render bons resultados é a prática de “mindfulness”, também conhecido como atenção plena. Se antes estudantes podiam ir para a escola e não prestar atenção nas aulas, estando apenas “de corpo presente”, hoje a presença se dá a partir do engajamento e participação, defende Doug. “Procuro reforçar com os meus alunos que eu sei que eles têm outras coisas para fazer, mas que naquele momento iremos aproveitar o que de melhor o digital tem a nos oferecer.”

Aulas emocionalmente envolventes

Uma das estratégias para que os alunos não sintam vontade de acelerar as aulas é que elas sejam emocionalmente envolventes. Quanto mais conseguirmos dialogar com aspectos que interessem aos jovens, mais entregues eles estarão ao conteúdo. No curso Emoções, da Vivescer, abordamos algumas estratégias para fortalecer os laços e o interesse durante o aprendizado. Acesse AQUI. 

Recesso pode ajudar professores a retomarem bons hábitos alimentares

Ferramentas gratuitas na internet trazem noções básicas sobre nutrição, que podem ser aplicadas no dia a dia a partir do planejamento e organização das refeições

alimentação professores

Depois de falar sobre a importância de professores usarem o recesso escolar de julho para realmente desconectar-se do trabalho e descansar, chega a hora de debater outro aspecto da vida que pode ter sido deixado de lado em meio a um cenário de longas horas de trabalho, cuidado com os filhos e tarefas da casa: a alimentação.

Muito se fala sobre a importância da prática de exercícios físicos, que protegem não somente a postura depois de horas em frente a um computador, mas também a saúde mental com a liberação de endorfina durante os exercícios. Entretanto, a importância de uma alimentação pensada e equilibrada é um tema menos discutido.

Fernanda Laino, nutricionista da Escola Paulista de Medicina, comenta que, no âmbito do cuidado com o corpo, uma boa alimentação também se configura como autocuidado, uma vez que todos os processos fisiológicos de uma pessoa dependem de fontes diversificadas de energia.

“Precisamos pensar que se não comemos bem, não dormimos bem, não trabalhamos bem, até nosso cognitivo fica prejudicado. Precisamos de uma alimentação balanceada e variada para poder ter bons resultados ao final do dia. Temos visto que pensar o que vai comer, onde, como e a que horas tem sido um privilégio. A maioria das pessoas faz tudo isso no piloto automático”, explica.

Como incluir o cuidado com alimentação na rotina

Com o fechamento das escolas e a migração do trabalho presencial para o online, o equilíbrio entre vida profissional, pessoal, cuidado com os filhos e com a casa ficou bagunçado.

Em muitos casos, essa conta não fechou. “Algumas pessoas têm uma visão romântica da quarentena, que tivemos tempo para fazer as coisas. Mas principalmente o professor eu acredito que não teve tempo de sair da cadeira, pois ele dá aula, faz cursos, pesquisa assuntos e recursos para chamar a atenção dos alunos. A isso, somam-se filhos e cozinhar”, expõe a nutricionista.

Nesse contexto, ela defende a importância de separar um tempo nessa rotina, que pode ser aos finais de semana ou no contraturno do trabalho, para de fato pensar conscientemente sobre os alimentos que serão consumidos durante a semana. Para Fernanda, a organização é a chave do sucesso.

Ou seja, alimentos como frutas e legumes devem ser comprados no mercado ou na feira, lavados, picados e guardados em potes na geladeira, ou montados em sanduíches naturais. Isso facilita que, em um momento de pouco tempo e muitas tarefas, os lanches rápidos sejam opções saudáveis e não biscoitos industrializados, por exemplo.

“Acredito que o recesso escolar pode ser o momento de o professor incluir esse momento no seu dia a dia para quando ele voltar a trabalhar já ter o hábito mais estabelecido. Quando seguimos uma rotina mais regrada, nosso corpo sente falta quando não cumprimos. Por isso, é legal aproveitar esse momento para tentar montar essa rotina e criar bons hábitos.”

Não entendo sobre nutrição. E agora?

A orientação de um profissional de nutrição é insubstituível para a montagem de um cardápio saudável, observando as necessidades e particularidades de cada pessoa. Entretanto, Fernanda deixa claro que a internet disponibiliza ferramentas práticas e gratuitas onde é possível pesquisar e dar início a uma mudança de hábitos alimentares na direção de uma vida mais saudável.

Uma dessas ferramentas é a pirâmide alimentar, aquela que é ensinada na escola ainda no ensino fundamental. Elaborada de acordo com os hábitos culturais de cada país, a figura mostra os principais grupos de alimentos e indica, em média, a quantidade de porções a serem consumidas diariamente por crianças e adultos.

Outro instrumento interessante é o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde. O material explica por que a alimentação é mais do que a ingestão de nutrientes, traz conceitos como alimentos in natura, processados e ultraprocessados e outras noções básicas sobre nutrição.

“Estamos vivendo uma epidemia de obesidade pois estamos consumindo muitos alimentos industrializados, e as pessoas não sabem ler os rótulos para entender quais ingredientes estão presentes em maior ou menor quantidade. O que digo é que precisamos desempacotar menos. Na correria, a tendência é pegar um pacote de salgadinho ou bolacha. Por isso, quando falamos em nutrição, o planejamento e organização são grandes passos que facilitam muito o processo”, defende Fernanda.

Dessa forma, ela reforça a importância da busca por informações produzidas por profissionais da área de nutrição, ressaltando os perigos de seguir dietas indicadas, por exemplo, por influenciadores digitais nas redes sociais.

Memórias afetivas na alimentação

Uma outra forma de buscar uma alimentação mais saudável é tentar lembrar dos pratos que nos trazem uma memória afetiva positiva. Momentos que vão desde o carinho de uma avó ao fazer um prato que gostamos, até o sentimento de liberdade ao subir em uma árvore cheia de frutas maduras.

Se você, agora, fechar seus olhos e recordar da sua infância, qual é o cheirinho de comida que vem à sua mente? Existe algum sabor que você tem saudades? Onde você estava e quem preparava? Veja mais sobre este tema AQUI.

Vivescer, será que tem alguma atividade específica na plataforma para professores com pouco tempo livre para ficar na cozinha?

Claaaaro! Clicando AQUI, você acessa um conteúdo especial cheio de bons exemplos, como esse aqui:

“Para planejar sua dieta, antes de tudo, tenha três caixas imaginárias em mente: uma caixa grande, que deve ser preenchida com alimentos in natura e minimamente processados, uma caixa média, com alimentos processados e acrescidos de ingredientes como sal, açúcar e gordura, e por fim uma caixinha bem pequena para os ultraprocessados.”

Como está a saúde mental dos jovens na volta às aulas?

Os jovens estão preocupados e conscientes sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre sua saúde mental. Esse é um dos principais achados da segunda edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus. Iniciativa do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e correalizada por sete organizações, a pesquisa tem como objetivo analisar o que adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos pensam sobre saúde, trabalho e renda, educação e vida pública.

A percepção sobre os efeitos da pandemia na saúde dos jovens mostra um cenário alarmante. 56% declaram uso exagerado de redes sociais, 51% relatam exaustão ou cansaço constante e 40% tiveram ou têm insônia. Todos esses dados se refletem na percepção de que 61% deles dizem estar mais ansiosos.

Gustavo Estanislau, coordenador do projeto Cuca Legal, iniciativa ligada ao Departamento de Psiquiatria da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), explica que esse estado de alerta, no qual as pessoas ficam mais preocupadas e enxergam o mundo de forma mais hostil, deve ser levado em consideração no momento do retorno, mesmo que gradual, às aulas presenciais.

“Não querer interagir socialmente, não sair de casa e não querer conhecer coisas novas são alguns desdobramentos de um quadro de ansiedade. É muito importante que consideremos que as pessoas vão passar um tempo um pouco mais ressabiadas do mundo. Acredito que um pouco desse contexto já foi visto com alunos que não queriam abrir as câmeras [no ensino remoto], algo que às vezes poderia estar relacionado com essa questão de não querer se expor ao novo”, defende.

Autoconhecimento docente

Além de os professores entenderem que haverá certas resistências por parte dos estudantes, quase como em um período de “readaptação”, Gustavo também pontua a importância de os próprios docentes estarem atentos ao seu estado emocional, uma vez que estar ansioso perto de outra pessoa ansiosa pode aumentar o grau desse sentimento.

“O professor funciona como um tradutor do mundo. Quando ele está em um estado de muita angústia, tende a traduzir o mundo de uma forma mais ansiosa, o que só aumenta a ansiedade de crianças e jovens. Crianças menores ainda têm pouco repertório e precisam maciçamente dos pais, claro, mas também dos professores para traduzir tudo o que está à volta. Por isso é fundamental que o professor se alerte.”

Outro ponto importante é um investimento dos docentes em seu autoconhecimento, para que saibam quais estratégias funcionam ou não antes de tentar aplicá-las junto aos alunos.

A relação entre saúde mental e aprendizagem

Se alguém ainda tem dúvida sobre a importância de dedicar atenção ao estado de saúde mental dos jovens antes de partir para a aprendizagem e para a recuperação de conteúdo, Gustavo reforça que a relação entre os dois mundos não poderia ser mais clara.

Uma criança aprendendo a andar, por exemplo, precisa se adaptar a um cenário: precisa ter força interna e externa para se expor, perseverar e, aos poucos, se adaptar e finalmente aprender a caminhar. No contexto escolar acontece a mesma coisa. Para realizar uma tarefa ou desafio, os alunos precisam de força externa e interna para insistir no aprendizado, bem como curiosidade para buscar novos conhecimentos. Tudo isso demanda saúde mental.

“Se eu estiver mais estressado ou ansioso, não vou ter força interna para me expor ao que é estímulo novo, vou querer continuar sempre com as mesmas coisas, com a tendência de ficar mais impulsivo. Ao falhar em um cálculo matemático, por exemplo, vou parar de fazer. Se estiver com desânimo ou tristeza, terei uma perspectiva de que as coisas vão dar errado, de que não adianta nada estudar pois serei sempre burro ou que eu vou me dar mal na vida. Então saúde mental é a base de todo processo adaptativo”, aponta Gustavo.

Como a escola pode ajudar?

Outro ponto de alerta trazido pela pesquisa é o fato de que 37% dos jovens apontam que o acompanhamento psicológico nas escolas é uma das ações que devem ser priorizadas para ajudá-los a lidar com os efeitos da pandemia. Gustavo é cauteloso ao pontuar que as demandas dos jovens devem ser levadas em consideração, mas que esse tipo de solicitação dos alunos – que não deve virar uma exigência – talvez não seja papel exclusivo das escolas.

Nesse sentido, o coordenador defende que pode ser mais interessante que a instituição de ensino de fato tenha um olhar cuidadoso nesse momento para a saúde mental de crianças e jovens para que possa ser uma aliada no encaminhamento de eventuais casos mais sérios e graves para os profissionais adequados, como psicoterapeutas. “Quando surge esse tipo de expectativa [sobre a escola], eu penso na angústia dos professores, que não estão conseguindo lidar com a própria ansiedade”, aponta Gustavo.

Dividir as responsabilidades não significa eximir a escola de qualquer papel. Nesse sentido, uma das ações que professores podem desenvolver é um mapeamento de sua turma de alunos, com bolinhas verdes, amarelas e vermelhas ao lado dos nomes daqueles que apresentam baixo, médio e alto risco de abandono escolar, a fim de evitar esse cenário e facilitar o olhar cuidadoso e a busca ativa por essas crianças e jovens. Essa atividade pode ser realizada por cada professor individualmente ou em grupo, promovendo a troca de percepções dos docentes.

Também é possível realizar atividades como meditação com a turma, de forma prática e sem parecer “blábláblá”. Veja AQUI uma solução para isso.

Piper: curta-metragem para ver com a família e os alunos

piper curta metragem

Você já foi “capturado” por um livro infantil ou desenho animado? Pois assim são as boas obras: mesmo pensadas para crianças, são cheias de sentido também para os adultos.

E o curta-metragem Piper é ótimo exemplo disso! Disponível no YouTube, esta animação da Pixar, de 2016, escrita e realizada por Allan Barillaro, retrata a primeira experiência de um filhote de pássaro em conseguir comida por meios próprios. A mãe orienta Piper, mas sem tomar o seu protagonismo nessa jornada de crescimento. Afinal, errar, cair e levantar são processos naturais do desenvolvimento, mas é preciso ter liberdade e uma base de segurança e afeto para enfrentar os desafios de forma plena e saudável.

Este curta pode apoiar discussões sobre resiliência, criatividade, superação e equilíbrio entre cuidado e excesso de proteção. Ideal para adultos e crianças assistirem juntos e se divertirem, é um respiro inspirador para se conectar com a criatividade a partir da adversidade.

Pelos olhos do professor

Sabemos que quando se é professor, mesmo que estejamos em casa em uma situação de família, passeando em um fim de semana ou mesmo olhando pela janela, a prática de sala de aula sempre está presente. O olhar de professor consegue encontrar bons temas e oportunidades para se trabalhar com os alunos em diferentes lugares.

Ao assistir Piper, a vontade de compartilhar este curta-metragem com os alunos é praticamente irrecusável. Vejamos por quê:

Abre as portas para boas conversas

Com cerca de cinco minutos de duração, muitas são as emoções, aprendizados e descobertas de Piper, e nossas também. Por abordar temas complexos como resiliência, autonomia, medo, frustração e muitos outros, Piper abre as portas para boas conversas com os filhos e alunos. Costumamos dizer que as boas obras têm camadas de complexidade, por isso, tanto crianças, quanto jovens e adultos, encontram sentido nelas. São de certa forma, atemporais.

Assume diferentes pontos de vista

É uma ótima obra para se pensar nos diferentes pontos de vista. Como a situação é vivida pelo Piper? E por sua mãe? E pelos outros personagens que fazem parte da narrativa? Os alunos observam que há diversas interpretações sobre uma mesma situação.

Exercita a escuta atenta e aberta

Para ser uma conversa, é preciso colocar em prática dois papéis: o de falante e o de ouvinte. Piper ajuda a encontrar pontos comuns e diferentes entre as falas, ampliar as informações ou visão sobre o que foi colocado, trazer um novo ponto de vista. Essa situação não se refere a uma faixa etária específica, pois quem é que não conhece um adulto que não sabe conversar? Que “fala sozinho”? Conversar é algo que se aprende… ou não!

Aprendizado com os pares

Uma das maiores belezas desse curta-metragem é a forma como Piper supera seu medo. O encontro inesperado com o caramujinho em uma situação muito similar a dele e o que ele aprende nessa relação é inspirador. Aqui vale um lembrete muito importante para os professores – o quanto a troca entre os pares é fundamental para as construções de aprendizagem -, pois os desafios são muito próximos e aquilo que precisam dar conta ou resolver também é.

Apoio aos processos de aprendizagem

Como apoiar os aluns no desenvolvimento de sua autonomia? Qual o tamanho da ajuda para que eles “andem com as próprias pernas”? O que se passa com a mãe de Piper, em seu coração, pode não estar tão visível, mas que ela acredita e confia que ele consegue, isso é certo!

Temas muito pertinentes para o contexto que vivemos

Piper traz temas muito pertinentes no contexto atual que vivemos. E como se trata de uma história que acontece com um personagem, é mais fácil falar sobre medo, solidão, desamparo…

Personagem inspirador

Nunca é fora de hora para se inspirar em um personagem que, como todos nós, passa seus “perrengues”, e que ao superá-los, generosamente, oferece esse seu saber para o entorno… isso é para ser compartilhado, iluminado, validado, valorizado.

Quer assistir com seus filhos ou alunos?

Clique aqui e “curta” o curta-metragem Piper!

 

 

 

 

Pandemia obrigou escolas a repensarem a avaliação dos alunos

 

Para Letícia Lyle, sócia-fundadora da Camino School, as mudanças educacionais ocasionadas pela pandemia forçaram os professores a pensar em como a avaliação deve ir além de conhecimento e conteúdo e envolver todo o processo de aprendizagem.

avaliação alunos pandemia

É claro que não se deve falar em oportunidades em um contexto de luto e perdas de vidas ocasionado pela pandemia de Covid-19. Entretanto, o fechamento das escolas obrigou que coordenadores e professores encontrassem novos caminhos para promover a avaliação dos conteúdos que foram ensinados durante o ensino remoto.

Para Letícia Lyle, professora do Instituto Singularidades e sócia-fundadora da Camino Education, escola de São Paulo (SP), um dos principais desafios quando o assunto é avaliação em tempos de pandemia foi a mudança abrupta nas formas de ensinar, que têm interferência direta na maneira como as avaliações são realizadas. “Durante a pandemia, a forma com que sempre fizemos avaliação não estava mais condizente com a forma que estávamos ensinando e muito menos com os jeitos de demonstrar aprendizagem no ensino remoto. As formas de ensinar e demonstrar aprendizagem mudaram. É claro que não poderíamos exigir o mesmo resultado partindo de uma forma diferente de ensinar.”

Trata-se, portanto, de promover avaliações condizentes com a proposta de aprendizagem. Nesse sentido, Letícia explica que o ensino remoto também foi um momento de repensar o que e como estava sendo feito até então em termos de avaliação. Para ela, o assunto demanda pensar ativamente sobre encontrar as melhores maneiras de demonstrar a aprendizagem que está sendo trabalhada com os estudantes. “A partir dessa pergunta, os professores poderão ser muito mais criativos e abrir mais espaço para diferenciação e individualização da aprendizagem.”

Inovação interfere na avaliação

O contexto de aulas remotas trouxe mais mudanças à educação do que é possível nomear. Além disso, considerando que ensinar e avaliar são ações diretamente conectadas, Letícia explica que é importante que a avaliação corresponda às inovações observadas nos formatos de aprendizagem adotados no ensino híbrido ou totalmente remoto.

“Quando a pandemia começou, o conceito de avaliação também teve que buscar outras referências além do conteúdo propriamente. Ou seja, o processo de avaliar passou a observar como é a participação do estudante, seu engajamento, motivação, resiliência, como lida com a frustração de ter que aprender conteúdos novamente, como ganha autonomia e outros pontos”, defende Letícia.

Essa nova forma de enxergar o próprio processo avaliativo pode apoiar professores a alcançarem mais estudantes, pois diversifica o olhar sobre as inúmeras formas de aprender, além de interferir na própria percepção dos alunos sobre quais estratégias funcionam melhor para si.

Isso também é verdade para metodologias inovadoras de ensino, como a aprendizagem ativa, quando o conteúdo e o conhecimento adquirido pelos estudantes não vêm apenas da aula expositiva, mas sim de diversos momentos e vivências.

Diversificando estratégias

É inegável que, em contextos nos quais a questão do acesso não é um desafio a ser superado, o mundo digital apresenta inúmeras ferramentas que apoiam o processo avaliativo, como quizzes, enquetes, formulários durante a aula, e outras métricas de aprendizagem.

Entretanto, Letícia comenta que também é possível diversificar as propostas de avaliação partindo de estratégias já utilizadas no cotidiano das aulas, mas com uma intenção diferente. “A pandemia nos mostrou que a avaliação também poderia acontecer a partir da criação de uma música, por exemplo, ou de um trabalho colaborativo entre um grupo de estudantes.”

Nesse contexto, muitos processos podem ser flexibilizados, desde que levem em consideração as motivações da avaliação, evitando que esse torne-se um processo vazio de sentido. “Algumas avaliações são institucionais e muito grandes, como o ENEM [Exame Nacional do Ensino Médio]. Então talvez não consigamos nesse nível, mas no dia a dia, em sala de aula, são questionamentos como ‘realmente preciso fazer essa prova individualmente?’, e uma reflexão sobre o que está sendo avaliado e como o estudante pode demonstrar a habilidade e competência em outros formatos que vão ajudar a fazer boas avaliações.”

Uma das estratégias que Letícia destaca são os portfólios, que devem conter as produções dos estudantes ao longo do tempo para que demonstrem a aprendizagem, mas também devem trazer o ponto de vista do professor, com suas expectativas diante da jornada de seus alunos.

“Costumamos dizer que, algumas vezes, temos que ajudar um estudante a perceber onde sua aprendizagem está e onde não está. Avaliações boas não demonstram só aquilo que você acertou ou conquistou. Elas trazem elementos de metacognição e espaço para você refletir e fazer uma autoavaliação sobre sua própria aprendizagem. Por isso, não devemos esquecer que tudo é informação. Então é um debate sobre como o professor pode ajudar o estudante a aproveitar esses processos para refletir e fortalecer as suas habilidades como aprendiz”, afirma Letícia.

 

Recesso escolar: a importância do descanso para os professores

 

Tirar um tempo para si e desconectar-se do trabalho durante o mês de julho é o mais indicado para que educadores possam desestressar e recarregar energias para um novo semestre em 2021

recesso professores

A busca por recuperar a aprendizagem de diversos temas que os alunos deveriam ter aprendido em 2020 e 2021, mas que foram prejudicados pela pandemia, pode lançar professores em uma verdadeira corrida contra o tempo. É preciso, porém, tomar cuidado para que esse cenário não se repita em julho, momento de recesso escolar.

José Clerton de Oliveira Martins, professor do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (CE) e pós-doutor em estudos do ócio, explica que, com a chegada da pandemia, a concepção de organização do tempo social foi transformada. No cenário atual, é difícil encontrar quem siga a lógica tradicional de: dormir oito horas, trabalhar oito horas e ter oito horas de tempo livre.

Estamos imersos em atividades em plataformas diversas, realização de novos planejamentos, aprendizado de novas tecnologias, preparação de aulas em novos modos de diálogo, interatividade e conectividade… Quando percebemos, as oito horas de trabalho transformaram-se em 10, 12 e até 14 horas, o que resulta em um contexto de esgotamento dos professores.

“O mundo diante das telas exige uma postura que nosso corpo está aprendendo, assim como uma familiarização do olhar muito tempo para as telas. Precisamos aprender a parar um pouco a cada 50 minutos, mas sabemos que muita gente passa muito mais tempo sem nenhuma pausa. É uma exaustão física e mental, muito maior e com mais tensão do que tínhamos antes. O professor está cansado e definitivamente estressado, com casos de pânico e ansiedade”, explica Clerton.

Parar é questão de saúde

Para explicar a necessidade de seres humanos se desligarem um pouco, Clerton faz uma analogia com os aparelhos que as pessoas tanto usam: tablets, celulares e computadores ligados por muito tempo acabam desgastados. “Desligar é uma condição natural. A pausa é necessária para pensar, para colocar tudo no lugar, para renovação das células, para o cérebro digerir novas informações, para novas compreensões.”

Nesse sentido, considerando que ainda não se sabe quanto tempo irá durar o modelo de aulas remotas ou híbridas, a ideia é que os educadores possam realmente se desconectar do mundo da escola, usando o recesso com foco no descanso.

Recesso e distanciamento

A recomendação de autoridades de saúde é a continuação de medidas como uso de máscaras e distanciamento social. Por isso, o recesso dentro de casa pode dificultar a missão de se afastar das telas e se desconectar dos assuntos da escola. José Clerton pontua, entretanto, que o esforço é necessário e pode ser iniciado a partir do autoconhecimento e auto-observação praticados pelos próprios docentes.

“Se você não tem a disciplina de dizer ‘basta, agora preciso descansar’, você acaba passando o dia todo e parte da noite nas telas, pois o trabalho vai além do contato com os estudantes e envolve respostas no WhatsApp, e-mails e fazer reuniões extras. Estamos trabalhando 12, 14 horas e não desligamos. Isso causa danos à saúde. Quando a pessoa começa a ter noção da importância do descanso, ela precisa dizer ‘já trabalhei minhas oito horas, agora preciso parar’”, exemplifica.

Especialista em estudos do ócio, o psicólogo comenta que há uma combinação entre as novas condições trazidas pela pandemia e uma questão social, na qual seres humanos entendem como moralmente incorreto o tempo de ‘não fazer nada’. Todo esse contexto tem feito, por exemplo, que as pessoas entendam erroneamente o sono como descanso.

“Estamos sofrendo um mal generalizado de cobrança, vigilância, controle do tempo conectado, e tudo isso leva a uma condição de cansaço que não pode ser revertida com duas horas de sono. É um cansaço de existir. [O livro] ‘Sociedade do Cansaço’ fala dos males desses novos tempos, e a pandemia trouxe, sem a menor necessidade, essa expressão naturalizada da ‘superatividade’”.

O que fazer?

Clerton explica que é importante esclarecer que não existe uma ‘receita de bolo’ para desconectar-se e conseguir descansar. Entretanto, deixa clara a correlação entre um estado depressivo, ansioso, tenso, a baixa de imunidade e a ocorrência de doenças.

Portanto, o psicólogo citou algumas dicas para que os professores da Vivescer possam começar a praticar o autocuidado, reflexão e desconexão no recesso escolar de julho. Confira oito dicas abaixo.

– invista na autopercepção e autoconhecimento, praticando dois turnos de 15 minutos de meditação ao longo do dia e prestando atenção na qualidade do seu sono. Para ver formas simples de meditar, clique AQUI.

– desconecte-se da tecnologia, mesmo da diversão via tecnologia, isto é, saia do Instagram, Netflix e WhatsApp por um tempo;

– reconecte-se com sua família: apesar dos inúmeros desafios que a quarentena trouxe, ficar em casa com seus filhos pode ser uma oportunidade de brincadeiras e estreitamento de laços, bem como uma chance de aproveitar o conhecimento dos seus avós;

– pratique uma atividade prazerosa que convoque sua alma e criatividade, como jardinagem, cozinhar ou pintar;

– leia conteúdos diferentes daquele que você leciona, como filosofia, história em quadrinhos;

– pratique atividades físicas, sobretudo as divertidas: dança, bicicleta, esportes ao ar livre, natação, caminhadas à beira-mar em horários menos movimentados;

– marque um encontro – com distanciamento – com alguém que não vê há muito tempo ou faça uma roda de conversa ao ar livre com amigos;

– invista em momentos ao ar livre: com toda a segurança, é possível passar tempos em quintais, jardins, na praça perto de casa, desde que sem aglomerações e em horários alternativos. Com isso, é possível entender a potencialidade da natureza nesse processo de reconexão primeiro consigo mesmo, depois com o mundo.

Desenvolvimento integral

Como professores podem cuidar da mente, do corpo, das emoções e de seu propósito de vida? É sobre isso que falam os cursos online e certificados da Vivescer. Desde estratégias de respiração, passando por sucos saudáveis e fáceis de fazer, e chegando a alternativas pedagógicas para gritar menos em sala de aula, esses conteúdos ajudam no dia a dia do professor, seja na hora do trabalho ou do lazer.

Clique AQUI para conhecer o material (mas, é claro, descanse muito antes disso!).

A importância dos materiais não estruturados nas brincadeiras das crianças

materiais não estruturados

Quando todos os brinquedos da casa parecem incapazes de atrair a atenção das crianças, ou quando o dinheiro está apertado para comprar alguma novidade, sempre surge a salvação: o material não estruturado.

Nunca ouviu falar disso? Pois com certeza você conhece muitos! São os gravetos, folhas, panos, cordas, caixas, tampinhas e uma infinidade de sucatas capazes de despertar a imaginação e o brilho nos olhos dos pequenos.

Vamos entender melhor esse conceito e a sua importância no desenvolvimento das crianças.

Por que esses materiais se chamam não estruturados?

Essa nomenclatura é utilizada pois sua forma não determina o brincar das crianças. Ou seja: é a capacidade de imaginação delas mesmas que atribui o sentido a um determinado objeto.

Por exemplo: uma caixa de papelão pode virar cabana, carro, armadura, castelo…. e na mesma brincadeira mudar inúmeras vezes de função. Essa flexibilidade é a grande qualidade destes materiais, pois deixam espaço para que a criatividade das crianças aflore.

Podemos dizer que a motivação do brincar vem de dentro para fora: o desejo da criança transforma/determina o significado do objeto.

Já os brinquedos estruturados tendem a dirigir o brincar das crianças. Por exemplo: com uma boneca em mãos, as ações das crianças como ninar, alimentar e vestir são determinadas pelo objeto, ou seja, a motivação do brincar vem de fora para dentro. Não quer dizer que essa atividade não tenha seu valor, mas sua contribuição para o aprendizado das crianças é diferente dos elementos não estruturados.

Qual a importância dos materiais não estruturados?

Com o avanço da tecnologia, nos acostumamos a oferecer às crianças e jovens materiais estruturados (carrinhos, bolas, etc), que muitas vezes são mais caros do que gostaríamos. Mas a verdade é que os materiais mais simples são insubstituíveis.

Além de serem muito mais acessíveis em termos financeiros, a qualidade do brincar desses objetos faz deles uma escolha pedagógica.

Mas por que estes objetos potencializam o brincar? Pelo convite aberto que eles fazem à brincadeira. Se entendemos o brincar como linguagem – forma como a criança se expressa e compreende o mundo à sua volta – quanto menos dirigida for sua expressão, e quanto mais forma ela puder dar as suas vontades, melhor. A possibilidade de exercitar a criatividade dá à criança autoria e protagonismo, o que é essencial na construção da identidade e no reconhecimento de si.

Os materiais não estruturados de geração em geração

Na escola, é frequente pesquisarmos com os alunos como era a vida no passado. E ao entrevistar avôs, avós, principalmente os parentes mais vinculados ao ambiente rural, descobrimos que eles brincavam com bonecas feitas de espigas de milhos, que batatas e pauzinhos viravam boizinhos, cavalinhos…

As histórias são ricas e afetivas e os elementos encontrados na natureza ganhavam vida nas mãos das crianças e jovens e se transformavam nos brinquedos mais adorados. A possibilidade de conectar os materiais não estruturados entre diferentes gerações é riquíssima.

É preciso tempo para explorar e descobrir

Pode ser que o interesse das crianças não surja imediatamente. Para que as crianças possam interagir com os materiais não estruturados, é preciso dar tempo e frequência.

Tempo para experimentar suas possibilidades, que por vezes surge de observar como outras crianças interagem com eles, e para criar familiaridade com os objetos. Quanto mais os conhecemos, mais conseguimos ampliar o nosso repertório de ações sobre eles.

E essa familiaridade não acontece no primeiro contato, mas na frequência com que nos relacionamos ou interagimos com algo.

Materiais não estruturados são adequados para uma faixa etária específica?

Muitas vezes associamos os materiais não estruturados às crianças menores, mas os maiores também têm muito a se beneficiar na interação com estes objetos.

Eles são capazes de construir estruturas mais complexas. O brincar das crianças se transforma à medida que crescem. E através da observação, podemos identificar quais materiais são motivadores para os alunos.

Garimpar sucatas pode ser uma boa diversão! E, com a ajuda de adultos, transformam o espaço de casa ou da escola em um verdadeiro parque de diversões.

Por isso, é muito importante validar esses objetos com as famílias, indicar seu uso, sugerir possibilidades e romper com a ideia de que os brinquedos comprados “valem mais” que um bom acervo de sucata.

Quer incentivar isso com os seus alunos?

Preparamos uma atividade na Vivescer que fala sobre o brincar livre, sem mediação, em espaços naturais. Ela faz parte de um curso certificado e gratuito de 32h, que aborda o Corpo e a Cultura no ambiente escolar.

Clique AQUI para conhecer esse material!

Três museus que oferecem tour virtual para você e seus alunos

 

Muitas vezes, as primeiras visitas a um museu acontecem como passeios da escola, que aproximam as crianças e jovens de diferentes culturas e ampliam sua visão de mundo.

Se, por um lado, a pandemia nos distanciou das atividades presenciais em grupo, por outro, acelerou a oferta de conteúdos no formato digital. Muitos museus conseguiram se adaptar e abrir as portas para um tour virtual. Destacamos três experiências online para você experimentar. Se gostar, compartilhe com os seus alunos!

Pinacoteca (São Paulo, SP)

A Pinacoteca é o museu de artes visuais mais antigo da cidade de São Paulo, fundado em 1905. Têm como ênfase a produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e o diálogo com as culturas do mundo.

O tour virtual 3D da Pina – como carinhosamente é chamada – é de se “tirar o chapéu”! Podemos circular por seus corredores e salas, observar muitas de suas obras e ainda fazer uma visita guiada. Ao explorar o museu pelo computador ou celular, procure pelos ícones laranjas. Neles, há um áudio com diferentes propostas interessantes de interação com as obras.

tour virtual pinacoteca sao paulo

Louvre (Paris, França)

Um voo São Paulo x Paris sai por mais ou menos R$3.500,00. Mas que tal visitar digitalmente e de graça o Louvre, principal museu da França? Sem filas, nem aglomerações, você pode conhecer de pertinho a Monalisa, de Leonardo da Vinci. Muita gente fala que os olhos dela nos seguem, será que no computador também?

O Louvre organizou uma visita virtual em que é possível se aproximar da obra e ver detalhes, afastar-se para ter ideia de seu tamanho original e ainda conhecê-la mais profundamente através de textos breves e claros.

tour virtual louvre monalisa

Museu do Amanhã (Rio de Janeiro, RJ)

Inaugurado em 2015 na zona portuária do Rio de Janeiro, já se tornou um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. A proposta do Museu do Amanhã é abordar ciência, tecnologia e conhecimento de uma forma interativa.

Com uma bela fachada, o espaço com mais 15 mil m² se apresenta como “orientado pelos valores éticos da Sustentabilidade e da Convivência, essenciais para a nossa civilização”, e busca “promover a inovação, divulgar os avanços da ciência e publicar os sinais vitais do planeta.”

Falando em tecnologia e interação, o tour virtual do Museu do Amanhã é super intuitivo e fácil de navegar.

tour virtual museu do amanha

BNCC e museus: tudo a ver!

Você com certeza já ouviu falar muito das 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular. A terceira fala sobre a importância de se ampliar o repertório cultural dos alunos. Em uma das atividades do curso Mente, da Vivescer, a especialista em educação Anna Penido aborda esse e outros tópicos. Vale a pena assistir (e completar as demais atividades para ganhar o certificado de 32h!). Clique AQUI para acessar.

A voz dos professores: importância e cuidados especiais

Fonoaudióloga explica que, além dos cuidados e exercícios específicos para voz dos professores, hábitos pessoais e até arquitetura da escola podem interferir na saúde das pregas vocais

Um dos principais instrumentos de trabalho do professor é a sua voz. Apesar da grande importância, muitas vezes ela acaba sendo desgastada ao competir com o volume de conversas dos estudantes em uma escola, sejam crianças ou adolescentes.

Para Madel Valle, fonoaudióloga especialista em voz, além de ser uma ferramenta para os educadores, a voz também é a responsável por parte do que os alunos conseguirão captar e compreender, de acordo com a forma com que o docente modula sua voz.

“O professor pode ter um conteúdo maravilhoso e ser especialista no assunto, mas se não tiver uma voz com uma entonação que atinja seus alunos, pode ser que ele não consiga transmitir a mensagem. Um professor com uma voz monótona faz com que a gente perca o foco atencional. A mesma coisa com aqueles que falam muito baixo, ou com a voz rouca”, explica.

Ensino remoto e voz

Mesmo que quase a totalidade dos anos letivos de 2020 e parte de 2021 tenha sido preenchido com aulas remotas ou envio de materiais à casa dos alunos, não é possível afirmar que a voz do professor teve descanso nesse período, mesmo sem as aulas presenciais.

Madel explica que o ensino online também tem uma série de particularidades que podem exigir muito da voz do professor, como a postura com que se senta à frente do computador e o uso de fones de ouvido. “Se a pessoa estiver com a cabeça abaixada, inclinando o pescoço, pode comprimir as pregas vocais. Além disso, o uso dos fones também pode fazer com que falemos cada vez mais alto sem perceber.”

Desafios impostos no presencial

Engana-se quem pensa que o desafio imposto à voz do professor está relacionado apenas ao uso excessivo. Madel enumera diversos outros fatores que também interferem diretamente na saúde do professor. A própria arquitetura das escolas é um deles, pois muitas salas de aula não têm uma acústica boa, o que contribui para abafar o som. Além disso, alguns ambientes são naturalmente ruidosos, o que pode atrapalhar ainda mais a projeção da voz.

O pó do giz utilizado nas lousas e produtos de limpeza muito fortes também são fatores a serem pensados. A pandemia de Covid-19 impõe mais alguns percalços a serem contornados, como o uso de máscaras e equipamentos como escudos faciais, que abafam ainda mais o som e exigem que o professor se esforce mais para falar mais alto e ser ouvido.

Técnicas e práticas

Existem algumas estratégias que ajudam a evitar a sobrecarga da voz. Algumas não estão relacionadas diretamente à forma como o professor fala, como, por exemplo, o local onde ele se posiciona na sala de aula e sua postura. O mais indicado, segundo Madel, é manter uma postura ereta, com o pescoço relaxado para não comprimir as pregas vocais e tensionar a região, além de se manter em uma posição central da sala.

Os hábitos pessoais também têm interferência direta na saúde da voz. Manter-se hidratado com um consumo adequado de água diariamente é fundamental. O ideal é que a água esteja na temperatura ambiente, pois, quando está gelada, ela tem efeito anestésico. Ou seja: temos a falsa impressão de que resolvemos o problema, e acabamos sentindo o dano aumentado depois.

Também é importante evitar fumar e ingerir excessivamente álcool e café. Isso porque, em grandes quantidades, o café pode ser prejudicial a pessoas que usam a voz profissionalmente. Segundo a especialista, o indicado é não ultrapassar duas xícaras pequenas por dia e evitar que a hora do cafezinho seja antes da aula.

Quando o assunto é a forma de falar e usar a voz, Madel enumera alguns pontos a serem observados, como uma boa articulação das palavras e aquecimento vocal, que inclui exercícios de alongamento do pescoço e vocais, como a vibração dos lábios e língua, pronúncia de fonemas e uso de acessórios para potencializar o uso da voz.

Madel reforça, entretanto, que é importante que os exercícios para voz sejam sugeridos por um profissional da fonoaudiologia, para que as práticas sejam pensadas de acordo com a necessidade de cada um. Por isso, a especialista defende que a presença de um profissional da voz deveria ser recorrente em cada escola, a fim de ministrar oficinas com orientações específicas e corretas para os educadores. “É muito importante o professor conhecer a fisiologia da voz, porque é quando conhece que vai conseguir se cuidar melhor.”

O repouso da voz entre aulas também é uma estratégia indicada. Em casos extremos de gripe, resfriado ou quando o professor perde a voz por esforço, o caminho é único: repouso e procurar um especialista, como um otorrinolaringologista, que poderá fornecer acompanhamento médico.

Como evitar gritos e cuidar das cordas vocais

A Vivescer traz mais estratégias para os professores cuidarem da voz em sua jornada certificada Corpo. São atividades com estratégias para evitar ter que gritar na sala de aula, além de um vídeo com mais sugestões práticas de cuidados com as cordas vocais. Clique aqui para acessar, com direito a certificado de 32h.

 

10 lições do filme Professor Polvo para o ambiente escolar

Este fascinante documentário, ganhador do Oscar da categoria de 2021 e disponível na Netflix, conta a história do cinegrafista sul-africano Craig Foster. Em um momento de vulnerabilidade, quando sua profissão deixa de fazer sentido, Craig se lança às águas geladas da costa africana dia após dia com sua câmera em mãos. Nessa jornada, a plenos pulmões, encontra um grande professor – um polvo. Na medida que o tempo passa, uma conexão inesperada se estreita entre os dois e aos poucos se transforma em uma relação afetiva. Mas o filme é muito mais do que o contato do homem com a natureza, e suas lições podem ser aplicadas no ambiente escolar para melhorar as relações que ali se estabelecem. Quer ver? Confira 10 lições do filme Professor Polvo.

1)      Rótulos e Preconceitos

Quando poderíamos supor que um polvo tem algo a nos ensinar? Quando compreendemos que não há rótulos nem preconceitos. Com os alunos não poderia ser diferente. Sempre há o bagunceiro, o descomprometido, o responsável, o engraçado, o sabido e assim por diante. Esses adjetivos podem ser uma carga muito pesada a ser carregada, ainda mais para os alunos, que estão em plena formação. Romper com esses ciclos repetitivos não é nada fácil, mas é fundamental. Os alunos, estão se constituindo como sujeitos individuais e sociais, dar a chance de poder mudar o que não contribui para o desenvolvimento e bem estar de qualquer ser, deve ser prioridade da escola.

2)      Interesse genuíno em conhecer o outro.

Durante seus mergulhos, Craig registra com sua câmera e olhar atento cenas incríveis de sua excêntrica amiga (trata-se de um polvo fêmea) e passa a pesquisar sobre os polvos quando está fora da água. Descobre que muitas das suas percepções e registros são mais amplos e profundos que os artigos científicos que encontra a respeito. E não é assim com o professor? Que observa atentamente cada um de seus alunos e descobre seus interesses, suas potências e necessidades… Muitas vezes superando especialistas em educação que ficam distantes da sala de aula. Esse interesse genuíno e aberto, pode ser a chave para romper com os rótulos e preconceitos.

3)      Somos parte da Natureza

Onde há vida, há conexão. A Natureza não está a nosso serviço, somos parte dela. E entender-se dessa forma não é algo que se dê naturalmente, é na relação com o entorno e com pessoas que compartilham dessa visão de mundo que podemos nos ver assim. A sustentabilidade da vida no planeta está atrelada a essa visão. Quando trazemos projetos interessantes sobre o meio ambiente e ele é pauta sistemática do trabalho realizado, investimos nessa conexão.

4)      Vulnerabilidade

Se tem algo presente no filme Professor Polvo é a vulnerabilidade. Está em Craig Foster, que perdeu o sentido naquilo que faz, está no polvo, que chega a perder um tentáculo em uma luta pela própria vida. Lidar com a própria vulnerabilidade e com a dos outros é um movimento importante para que, em um processo cuidadoso, ela possa ser acolhida.

5)      Relação com a família

A relação com a família coroa o fim desta bela história. A incrível experiência do pai, Craig Foster, acaba por envolver seu filho, que passa a acompanhá-lo nos mergulhos gelados pelo recife. Na escola também é assim, o apoio familiar faz toda a diferença na educação dos alunos. Por vezes essa relação família-escola traz tensões, não é de hoje. Podemos dizer inclusive que é histórica. Mas quando acontece de forma a somar forças, é uma aliança insuperável.

6)      Relações equitativas

Para estabelecer uma relação verdadeira, é preciso abertura. Craig não usa tanque de ar, apenas seus próprios pulmões, não usa roupa de neoprene, leva apenas sua pele e se adapta ao ambiente. É com esta inteireza que se abre para o encontro com o outro. Essa abertura para o diferente é fundamental na escola, não apenas na relação professor-aluno, mas em todas as relações que se estabelecem na instituição. Se entre os adultos houver aceitação ao diferente, provavelmente este seja o “tom” que permeia a escola e reverbera entre adultos, jovens e crianças.

7)      Ser você mesmo

Quando o ambiente escolar é aberto às diferenças, possibilita que as pessoas sejam como são, pois se sentem em um lugar seguro. A diversidade traz grande riqueza à escola, pois cada um contribui com um olhar ou perspectiva que alimenta e amplia a do outro. Imagine ter um problema a ser resolvido e muitas soluções para enfrentá-lo. Isso é o que acontece quando convivemos onde cada um pode ser quem se é.

8)      Estabelecer relações de confiança

As relações de confiança fazem parte de tudo que dissemos até agora, mas estão aqui para nos lembrar que não acontecem do dia para a noite, são uma construção gradual e única. Assim como Craig e o polvo foram estreitando seus vínculos dia a dia a medida que se conheciam, nas relações que estabelecemos com os alunos é o mesmo. Quando um sentimento de pertencimento se revela com nosso grupo de alunos, é sinal de que os vínculos são muito fortes. E podemos afirmar que as relações são únicas, pois se temos 25 alunos em sala, temos 25 relações particulares – incomparáveis e irreplicáveis.

9)      Saber contar bem uma história

A narrativa que damos aos acontecimentos pode fazer toda a diferença na força que aquela mensagem passa. Craig e os produtores do filme foram capazes de transformar uma linda história individual em uma lição para o mundo. Na escola, temos momentos inspiradores o tempo todo. É preciso olhar para eles com atenção e contar bem essa história.

10)  Desapego e boas lembranças

Craig não poderia interagir com o polvo para sempre, certo? Mas absorveu aprendizados, entregou-se àquilo enquanto durou e permaneceu com as boas lembranças. Na escola, os professores são um pouco assim. Projetam o melhor futuro possível para seus alunos, e se despedem com a esperança de que a contribuição ao longo dos anos tenha sido valiosa para eles.

11) O professor como mediador

Vamos adicionar um número extra para falarmos do papel do professor (o da escola, não do polvo) no aprendizado dos alunos. Parte das lições do filme estão relacionadas à importância da mediação no contato entre estudantes e conteúdo. Para ajudar os educadores a desenvolver ainda mais essa habilidade, temos uma atividade específica na jornada Emoções, que, vale lembrar, é certificada e gratuita. Clique AQUI para acessar.