Ensino à distância: ferramentas que podem ajudar a educação em tempos de coronavírus

Colin Behrens/Pixabay

Desde 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de pandemia por conta da disseminação acelerada do novo coronavírus, o Brasil e o mundo assistiram a inúmeras medidas para frear o número de infectados, como o fechamento de escolas e universidades. A suspensão das aulas em mais de 102 países obrigou mais de 850 milhões de estudantes, entre crianças e adolescentes, a ficarem em casa, segundo um comunicado da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Em diversas regiões do país, muitos professores e alunos enfrentam dificuldades dos mais variados tipos para acessar computadores e conexão à internet de qualidade para aulas ao vivo. Manter as aulas ainda que a distância é um cenário novo e que demanda esforços dos mais diferentes níveis, inclusive da administração pública. Entre inúmeros desafios, o momento apresenta a possibilidade de, no âmbito da educação, testar diferentes abordagens pedagógicas e avaliar o que funciona melhor para cada comunidade escolar.

Na lista, a Vivescer reuniu dicas de aplicativos, ferramentas e plataformas para mostrar como recursos digitais (alguns que já fazem parte do dia a dia do professor, em seu uso pessoal) podem facilitar a comunicação entre alunos, famílias e professores. Confira a seguir:

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1. Redes sociais

Redes sociais não são somente diversão. O WhatsApp, Facebook e até mesmo o Instagram podem servir a propósitos pedagógicos. No aplicativo de conversas, é possível ter grupos separados com os alunos e com as famílias. Já no Facebook, há a possibilidade de montar grupos fechados, que permitem tópicos de discussão. Já no Instagram, uma ideia é o professor criar um perfil exclusivo para seus alunos ou para as famílias – separado de seu perfil pessoal – e fazer transmissões online. Assim, fica mais fácil a interação com os estudantes ou realização de comunicados e dicas aos responsáveis. O Zoom, aplicativo gratuito de reuniões, também é uma opção para videoconferências com o corpo docente, alunos e famílias.

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2. Google

O Google for Education oferece inúmeras ferramentas que facilitam o processo de aprendizagem à distância, principalmente por permitir o login de professores e estudantes a partir de qualquer dispositivo com acesso à internet, além de salvar todas as alterações na nuvem. Com um leque de aplicativos e ferramentas gratuitas, o Google permite que estudantes trabalhem juntos de forma virtual e facilita o acompanhamento e devolutivas do professor, que pode usar outras ferramentas, como o Hangouts, para fazer videochamadas com o grupo inteiro. A criação de listas de e-mails, planilhas, formulários e documentos, armazenamento de arquivos e integração com outros aplicativos são algumas possibilidades da plataforma.

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3. ClassApp

Idealizado a partir de experiências pessoais de dois pais, o ClassApp é um aplicativo brasileiro criado em 2014 para facilitar o engajamento de famílias na rotina escolar. Com opções para o ensino básico e superior, a ferramenta possibilita troca de mensagens privadas e em grupos, envio de fotos, comunicação por e-mail para famílias não cadastradas no app, personalização de relatórios e outras funcionalidades, que compõem diferentes planos de acordo com o que a escola deseja. No período de suspensão das aulas em razão da pandemia, o ClassApp está com o uso liberado gratuitamente, uma oportunidade para instituições de ensino testarem a tecnologia.

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4. ClassDojo

Lançado em 2011, o ClassDojo atraiu, em pouco mais de dois meses, cerca de 35 mil professores nos Estados Unidos. A plataforma está em português, é gratuita e visa envolver toda a comunidade escolar ao oferecer funcionalidades a educadores (possibilitando compartilhamento de conteúdos e atividades com os estudantes), às famílias (que podem acompanhar as atividades dos filhos), e também a diretores de escolas, que conseguem emitir comunicados gerais, por exemplo. Algumas páginas e conteúdos estão disponíveis em português.

A meditação como aliada em tempos de coronavírus

Mão em posição de meditação com dedos unidos
Pontos positivos da meditação vão além de sensação de bem-estar e relaxamento. Foto: yanalya / Freepik

Se você acredita que a meditação é um exercício difícil, destinado apenas a pessoas que desejam trabalhar concentração e relaxamento, está na hora de rever seus conceitos. Isso porque a atividade pode ser realizada por diferentes faixas etárias e com propósitos diversos, ainda mais agora durante a crise do coronavírus COVID-19.

Para se ter uma ideia do potencial da prática, um estudo desenvolvido nos Estados Unidos comprovou que a meditação “mindfulness” – comumente traduzida como “atenção plena” – alterou a estrutura cerebral dos participantes em áreas relacionadas à aprendizagem, memória e regulação de emoções.

A disseminação da técnica fez com que profissionais de diferentes setores, incluindo de educação, passassem a dedicar momentos do dia para ficar em silêncio. Mas, afinal, o que está por trás do senso comum de que meditação ajuda a manter o foco e atenção?

Para analisar quais são os efeitos e benefícios da prática para alunos e professores, a Vivescer conversou com Daniela Degani, empreendedora da MindKids, empresa que dedica-se a ensinar meditação a estudantes e professores, e Paulo Moura, coordenador da Associação Mente Viva, destinada a incentivar o desenvolvimento e atenção de crianças e adolescentes a partir da meditação.

Meditação para professores 

– Melhora na autoestima
Frente a casos de esgotamento físico e mental, Paulo vê na meditação um meio para resgatar a autoestima do professor. “A meditação vai ajudar o professor a se enxergar como alguém que pode e deve contribuir positivamente para a sociedade. Na minha visão, a sala de aula é uma oportunidade belíssima para que uma pessoa se desenvolva, brilhe e, com isso, ajude centenas a aprenderem, serem mais saudáveis e terem respeito ao próximo”.

– Redução no número de afastamentos
Mesmo que seja um efeito secundário, Daniela comenta que pesquisas já comprovaram que, professores e ambientes escolares que praticam a atividade conseguem reduzir o número de afastamentos por exaustão, a chamada síndrome de “burnout” (termo que pode ser traduzido como exaustão emocional). “Apesar de a saúde mental do professor ser uma questão multifatorial que envolve remuneração, ambiente escolar e jornadas de trabalho adequadas, a adoção de uma prática cotidiana de mindfulness possibilita maior equilíbrio em sala de aula.”

– Aumento na qualidade da presença
A prática também cria um ambiente mais propício ao aprendizado, onde o professor está no momento presente, com disponibilidade para se conectar aos alunos. “Pode ser que eu acorde de manhã e receba notícias boas e ruins. Se estou preocupado, pode ser que chegue para dar aula com a atenção completamente fragmentada. Se medito, fico mais inteiro”, lembra Daniela sobre o relato de um professor.

– Meditação: ferramenta acessível
Mudar todo o sistema educacional dentro do qual os professores estão inseridos é uma tarefa de longo prazo. Nesse cenário, a meditação aparece como uma prática sem custo e que pode ser iniciada imediatamente. “Existem formações de professores que focam na transmissão de muito conteúdo teórico. Mas vale ressaltar que existe o lado humano. Pode ser que nunca tenham sido ensinados a lidar com suas emoções quando um aluno desafia em sala de aula”, explica Daniela.

Meditação para alunos 

– Mais atenção, menos impulsividade
O que vai além de atestar que meditação faz com que a pessoa tenha mais foco e atenção? Para Daniela, trata-se de promover o acesso a um espaço individual de tranquilidade interna e sabedoria, que acarreta, por exemplo, maior foco e atenção nas aulas e discernimento na resolução de conflitos – seja na escola ou na vida pessoal. “Quando pergunto aos alunos se alguém os ensinou a prestar atenção na aula, a resposta é não.” Nesse momento, explico que além de ajudar a direcionar a atenção, a técnica facilita pensar na melhor forma de responder e evitar arrependimentos logo depois”.

– Aumento da autoestima
Para Daniela, um dos benefícios da meditação é o aumento da autoestima dos alunos. O fato de os exercícios promoverem maior atenção pode ajudar a avaliar o que é positivo e quando a situação foge de controle. “Temos padrões mentais autodepreciativos que não trazem nada de construtivo. Com prática e tempo, os alunos descobrem como soltá-los e entendem quando dar continuidade a um pensamento ou não.”

– Criatividade e receptividade
Terapeuta holístico e autor de livros sobre desenvolvimento espiritual, Paulo defende que um dos principais benefícios da meditação é a tranquilidade do corpo e da alma, que ele desenvolve com exercícios de criatividade. “Não vamos dar o peixe pronto, mas orientar que fechem os olhos, se imaginem no fundo do mar, sentados no meio do oceano. Esse trabalho de imaginação criativa ajuda as crianças a ficarem motivadas a descobrir e aprender conteúdos como os de matemática, que passam a enxergar de forma lúdica.”

– Respeito ao planeta e ecossistema natural
Paulo explica que uma das formas de propor a meditação é explicar aos estudantes a relação entre seres humanos e o meio ambiente. “O mundo natural nos traz o remédio físico de plantas, mas também nos dá o suporte emocional de saber usar a força do leão, por exemplo, para ter coragem e autoestima. Assim, passo a admirar os animais e o meio ambiente como próximos a mim, e não algo que vou derrubar e estragar.”

Saiba mais sobre como a meditação apoia o trabalho do professor na VivescerTV

Novas jornadas na plataforma Vivescer!

Está no ar a jornada MENTE!

Você sabia que a Vivescer é composta por 4 jornadas de aprendizagem? Aqui você pode desenvolver corpo, emoções, mente e propósito!

Cada uma das jornadas é composta por 4 percursos de aprendizagem. A boa notícia é que, além de poder completar a jornada Emoções, agora você também pode navegar pelo percurso Mente!

Na jornada Emoções, o primeiro percurso trata das experiências emocionais que vivemos em nosso dia-a-dia. A discussão sobre como essas experiências impactam a forma como aprendemos, que é única, está presente no percurso estilos de aprendizagem. O terceiro percurso, chamado conexão e abertura, discute a possibilidade de criarmos ambientes de afeto, vínculo e segurança emocional em nossas escolas. E o último percurso – sistemas – discute com os diferentes sistemas dos quais fazemos parte exercem forte influência sobre nós e sobre o nosso fazer profissional.

Na nova jornada Mente, investigaremos nossas crenças sobre Educação no percurso  experiências cognitivas. No segundo percurso, visitaremos diferentes estratégias de aprendizagem que ajudam alunos a aprender mais e melhor. Discutimos a importância de incorporamos perspectivas múltiplas na relação com as questões que enfrentamos dia a dia e, por fim, entenderemos como as políticas públicas impactam o nosso dia a dia.

Em breve as jornadas de Corpo e Propósito também estarão no ar! Para acessar as duas jornadas disponíveis é só se cadastrar!