Autoconhecimento e superação: como a jornada sobre emoções ajuda o crescimento pessoal e profissional

Para Carlos Henrique Patrício, diretor de uma escola da rede municipal de ensino de Magé, no Rio de Janeiro, a Vivescer apareceu em sua vida no momento em que mais precisava: quando chegou na escola onde atua, em 2017, passou por processos de luto em sua vida pessoal. “Sabe aquele momento que você precisa encontrar algo novo e diferente, que te faça sentir realizado e, ao mesmo tempo, te dê diversas oportunidades, oriente caminhos e te conduza a novos lugares? Com a Vivescer foi assim.”

Como precisava entender o que sentia, Carlos começou seu percurso na plataforma pela jornada sobre emoções. “Em 2017, meu emocional estava muito abalado. Foi no finalzinho de 2018, a partir da minha interação com a plataforma, que comecei a me fortalecer. A jornada, que estou refazendo atualmente, conseguiu mostrar que precisamos falar sobre nossos sentimentos e o que estamos sentindo. Não somos só divididos entre estar triste ou feliz. Temos muitas outras emoções e a jornada possibilita que a gente se conheça mais e melhor, além de permitir que olhemos para os outros, desenvolvendo empatia.”

É claro que o processo demanda certo tempo e empenho do profissional, sem contar em sua disposição de evoluir. Mas, para Carlos, as mudanças fizeram-se presentes tanto em sua vida pessoal, como na prática profissional. “No dia a dia corrido, eu tinha mania de apenas ouvir. Se continuasse assim, talvez não captasse exatamente o que alunos, professores e a equipe escolar queiram me passar. A partir desse momento, passei a olhar mais para essas questões.”

Colocando os aprendizados em prática

Um dos pontos altos da Vivescer, segundo Carlos, é convidar os educadores e demais profissionais da educação a colocar em prática o que aprendem na plataforma. Em 2019, o diretor criou o projeto Reconstruindo Contextos e Experiências. A proposta, ligada à jornada emoções, usa o filme de animação “Divertidamente” para introduzir os trabalhos da reunião pedagógica de professores da escola.

“Nesse momento, incentivei que cada um analisasse como estava se sentindo exatamente naquela hora e nomeasse a emoção. A partir disso, construí uma dinâmica ligada ao filme.” Segundo o profissional, essa experiência aguçou a vontade de fazer ainda mais atividades.

A prática deu origem à “Linha das Emoções”. Carlos passou uma fita isolante no chão do pátio da escola e fez com que os professores ficassem a uma certa distância. Então, propôs uma volta no tempo: “Eu utilizei experiências emocionais que cada um já tenha vivenciado, e eles iam se aproximando ou não da linha conforme suas realidades”, explica. “Fiz perguntas desde a infância até a prática profissional, como a passagem pelo magistério e a experiência de lecionar. Foi muito bacana porque, de início, os professores estavam com medo e, aos poucos, começaram a interagir demais. A dinâmica durou um bom tempo e deu para todo mundo deixar claro o que sentiu.”

Mesmo depois das duas experiências, o trabalho com as emoções não parou. O corpo docente empenhou-se em momentos de estudo e questões voltadas à parte emocional dos professores, introduzindo também conceitos como competências socioemocionais e a importância de enxergar o aluno de forma integral. “Nós encontramos muitas dificuldades, mas se focarmos só nelas, não obteremos bons resultados. Temos que entender que o aluno é um todo, que tem vontades e possibilidades, só que, muitas vezes, o professor deixa o processo muito ‘engessado’. A jornada também ajudou nesse sentido.”

Envolvimento da equipe da escola e comunidade

Os ensinamentos obtidos na plataforma também motivaram a realização de atividades que envolveram mais do que os professores: alunos, toda a equipe da escola e até mesmo as famílias e comunidade do entorno passaram a fazer parte da chamada Árvore dos Elogios.

Tudo começou quando Carlos pensou em uma forma de professores trocarem elogios entre si. “Às vezes, pensamos que o importante é ter ou ganhar algo concreto para sermos bons. Mas não é assim. Precisamos entender que ser é muito mais importante do que ter.” Segundo ele, quando professores começaram a receber bilhetes reforçando que eles são importantes e que fazem a diferença na escola, teve início um processo de esperança da equipe.

A experiência foi tão positiva que ganhou novos “frutos”. Rapidamente, cada sala de aula passou a contar uma árvore dos elogios para que os alunos também participassem do gesto. Em seguida, os funcionários também entraram na roda, e bilhetinhos para a “tia da cozinha” e para a “tia da limpeza” também passaram a aparecer nas cartolinas. “Aquilo mudou completamente a harmonia do espaço escolar.”

Logo, o movimento também contagiou os pais, mães e famílias dos estudantes, que usaram suas contas pessoais do Facebook e também a página da escola para multiplicar os elogios. “O que estava somente na árvore dentro da escola ganhou novo formato e passou para o Facebook. Era como se tivéssemos feito uma transposição da ideia do elogio para a página dos pais dos alunos e da própria escola. Esse é um grupo que tem muita vontade de fazer e de inovar.”

Próximos passos

Depois da jornada emoções – que está percorrendo pela segunda vez – e da jornada mente, Carlos diz que está ansioso para realizar a jornada sobre propósito, que tem sido elogiada por outros professores. Para ele, ter sido convidado para integrar o time de embaixadores da Vivescer foi motivo de grande alegria. “Quando recebi o convite, não vou mentir: meu coração quase explodiu. A gente se torna grande, não no sentido de ‘poder’, mas na capacidade de estar disponível para ajudar outras pessoas e professores ao participar de uma rede que tem um significado tão grande.”