Tecnologia possibilita visita a museus e estudo da arte sem sair do sofá

Mona Lisa no museu do Louvre

Vivenciar o estilo neoclássico de Richard Morris Hunt na entrada do Metropolitan Museum of Art (MET), em Nova York, entender um pouco mais sobre a construção da Acrópole de Atenas, na Grécia, com uma visita ao Museu da Acrópole, mergulhar em fotos e imagens sobre o Holocausto no Yad Vashem, centro mundial de memórias do holocausto e passear pelos corredores da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Tudo isso sem sair do sofá.

Esse é um dos pontos altos da tecnologia quando o assunto é arte: oferecer visitas virtuais em sites e plataformas como o Google Arts & Culture. Em um período de aulas suspensas e escolas fechadas, uma das possibilidades é investir na exploração dessas ferramentas  para desenvolver o lado artístico de qualquer professor ou oferecer complementos para atividades a serem realizadas com os alunos. Mais do que preencher a lista de atividades remotas, a arte desempenha papel de provocar reflexões e novos pontos de vista sobre o momento atual.

Para Roseli Alves, psicopedagoga e coordenadora-geral do Instituto Arte na Escola, o momento atual pede muito mais do que encarar arte como uma disciplina e interpretações acadêmicas, centradas nos elementos constitutivos das obras, por exemplo. “O interessante é observar a imagem, pensar e falar sobre ela e as sensações despertadas em si mesmo pela obra”.

“Esse é um grande exercício que temos feito em cursos de formação de professores: entender o que cada um percebe a partir de uma obra, e não questionar o que ela quer dizer. É uma proposta de aguçar a estesia, algo muito presente em uma cultura visual como a nossa, na qual os alunos se deparam com imagens a todo momento. Dessa conversa sobre imagens surge uma enorme potência de discutirmos arte”, afirma Roseli.

A importância de direcionar o olhar

Entre museus de arte clássica, moderna e contemporânea, a psicopedagoga exemplifica o trabalho com a arte dos nossos tempos. “Os alunos podem observar o que mudou, quais são os tipos de registros artísticos vigentes. Então, ao entrar num museu e se deparar com uma pintura clássica e outra contemporânea, é possível propor uma atividade sobre as sensações que essas obras causam.”

O trabalho com as materialidades também é importante. Segundo Roseli, os processos de observação, leitura e apreciação de obras que utilizam diferentes matérias-primas  conseguem despertar olhares dos estudantes e tirá-los de uma posição de consumidores. “Se não houver processo de criação, o ensino de arte não existe. Então promover a realização de uma composição ou uma assemblage, que é uma linguagem bem contemporânea, permite a pesquisa de objetos pela cor, forma ou pelo campo de sentido que desperta no aluno.”

Para a especialista, todos os apoios e avanços permitidos pela tecnologia precisam ser acompanhados de processos onde as crianças verdadeiramente coloquem a mão na massa e experimentem. “Se for ver uma exposição de fotos em um museu, que a proposta vá além e incentive que os próprios alunos também tirem suas fotos. Dessa forma, a criança não fica sentada apenas consumindo tecnologia. Além disso, também é importante fugir da releitura. Hoje a sociedade pede pessoas criativas e queremos formar indivíduos que possam usufruir da arte para produzir, experimentar e ter embates com a matéria quando, por exemplo, tentam fazer tintas com beterraba ou açaí”, explica Roseli.

O que visitar? 

Para guiar as visitas online, Roseli elencou algumas dicas imperdíveis entre museus, obras e filmes.

Instituto Arte na Escola
O próprio site do Instituto Arte na Escola reúne inúmeros materiais em sua Midiateca que podem ajudar o professor na elaboração de aulas voltadas à arte. Na aba vídeos, por exemplo, é possível assistir produções sobre diversos artistas e movimentos, como o cubismo. Também estão disponíveis kits educacionais que orientam o trabalho com arte, como o Eco Art, que apresenta proposições pedagógicas que partem da leitura de imagem e do diálogo entre o discurso poético das obras e o meio ambiente. A página planeje sua aula reúne dicas e orientações para explorar e aproveitar ao máximo as ferramentas do site.

Pinacoteca do Estado de São Paulo
Localizada em um edifício que data de 1900, no centro de São Paulo, a Pinacoteca do Estado de São Paulo é um dos parceiros dos acervos parceiros do Google Arts & Culture. Sendo o mais antigo museu de arte da cidade, reúne obras com ênfase na arte brasileira do século 19 até a contemporaneidade. A partir de câmeras estrategicamente posicionadas, é possível passear pelos corredores e ver um pouco das 11 mil peças que compõem o acervo, que conta com nomes como Anita Malfatti, Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Candido Portinari, Oscar Pereira da Silva, entre outros.

Instituto Moreira Salles
O Instituto Moreira Salles, que reúne obras nas áreas de fotografia, música, literatura e iconografia, organizou uma aba especial no site chamada #IMSquarentena, com o objetivo de contribuir com reflexões sobre o cenário da pandemia e sobre a criação artística nesse período, além de oferecer um espaço virtual que promova a criatividade e a solidariedade. Para inspirar os visitantes online, estão disponíveis podcasts, ensaios do acervo, trabalhos inéditos e indicações de leitura sobre a atual conjuntura. Outro ponto interessante é conhecer particularidades do museu pelos olhos de funcionários e colaboradores do IMS na série Afinidades IMS.

Google Arts & Culture
Com a missão de ‘preservar e disponibilizar online a arte e cultura do mundo para que seja acessível para qualquer pessoa, em qualquer lugar’, o Google Arts & Culture é uma plataforma gratuita que, em parceria com mais de dois mil museus e acervos do mundo todo, disponibiliza visitas virtuais e possibilita que, do sofá de casa, qualquer pessoa com acesso à internet possa entrar em contato com diferentes tipos de arte. É possível filtrar os resultados no site pela proximidade, perfil, coleções, temas, artistas, materiais utilizados, eventos, figuras históricas e muito mais. Você vai notar que o conteúdo está disponível em inglês, mas clicando em “Explorar”, na barra superior, é possível visualizar partes do conteúdo traduzido.

Experiment 120
Experiment 120 é uma iniciativa da artista e curadora Marie-Pierre Bonniol, que reuniu, em uma playlist de YouTube, 22 filmes para que crianças e adolescentes possam conhecer 120 anos de filmes experimentais. Criada especificamente para o período de fechamento das escolas, a playlist, montada com apoio de crianças de sete anos, explora pesquisas do cinema abstrato experimental, com diferentes tipos de arranjos e composições de formas. Com diferentes propostas e durações, os filmes datam desde 1898, com Georges Méliès, até 2017. Clicando aqui você encontra o conteúdo traduzido com a ajuda do Google Tradutor.

Foto: Eric TERRADE/Unsplash