A meditação como aliada em tempos de coronavírus

Mão em posição de meditação com dedos unidos
Pontos positivos da meditação vão além de sensação de bem-estar e relaxamento. Foto: yanalya / Freepik

Se você acredita que a meditação é um exercício difícil, destinado apenas a pessoas que desejam trabalhar concentração e relaxamento, está na hora de rever seus conceitos. Isso porque a atividade pode ser realizada por diferentes faixas etárias e com propósitos diversos, ainda mais agora durante a crise do coronavírus COVID-19.

Para se ter uma ideia do potencial da prática, um estudo desenvolvido nos Estados Unidos comprovou que a meditação “mindfulness” – comumente traduzida como “atenção plena” – alterou a estrutura cerebral dos participantes em áreas relacionadas à aprendizagem, memória e regulação de emoções.

A disseminação da técnica fez com que profissionais de diferentes setores, incluindo de educação, passassem a dedicar momentos do dia para ficar em silêncio. Mas, afinal, o que está por trás do senso comum de que meditação ajuda a manter o foco e atenção?

Para analisar quais são os efeitos e benefícios da prática para alunos e professores, a Vivescer conversou com Daniela Degani, empreendedora da MindKids, empresa que dedica-se a ensinar meditação a estudantes e professores, e Paulo Moura, coordenador da Associação Mente Viva, destinada a incentivar o desenvolvimento e atenção de crianças e adolescentes a partir da meditação.

Meditação para professores 

– Melhora na autoestima
Frente a casos de esgotamento físico e mental, Paulo vê na meditação um meio para resgatar a autoestima do professor. “A meditação vai ajudar o professor a se enxergar como alguém que pode e deve contribuir positivamente para a sociedade. Na minha visão, a sala de aula é uma oportunidade belíssima para que uma pessoa se desenvolva, brilhe e, com isso, ajude centenas a aprenderem, serem mais saudáveis e terem respeito ao próximo”.

– Redução no número de afastamentos
Mesmo que seja um efeito secundário, Daniela comenta que pesquisas já comprovaram que, professores e ambientes escolares que praticam a atividade conseguem reduzir o número de afastamentos por exaustão, a chamada síndrome de “burnout” (termo que pode ser traduzido como exaustão emocional). “Apesar de a saúde mental do professor ser uma questão multifatorial que envolve remuneração, ambiente escolar e jornadas de trabalho adequadas, a adoção de uma prática cotidiana de mindfulness possibilita maior equilíbrio em sala de aula.”

– Aumento na qualidade da presença
A prática também cria um ambiente mais propício ao aprendizado, onde o professor está no momento presente, com disponibilidade para se conectar aos alunos. “Pode ser que eu acorde de manhã e receba notícias boas e ruins. Se estou preocupado, pode ser que chegue para dar aula com a atenção completamente fragmentada. Se medito, fico mais inteiro”, lembra Daniela sobre o relato de um professor.

– Meditação: ferramenta acessível
Mudar todo o sistema educacional dentro do qual os professores estão inseridos é uma tarefa de longo prazo. Nesse cenário, a meditação aparece como uma prática sem custo e que pode ser iniciada imediatamente. “Existem formações de professores que focam na transmissão de muito conteúdo teórico. Mas vale ressaltar que existe o lado humano. Pode ser que nunca tenham sido ensinados a lidar com suas emoções quando um aluno desafia em sala de aula”, explica Daniela.

Meditação para alunos 

– Mais atenção, menos impulsividade
O que vai além de atestar que meditação faz com que a pessoa tenha mais foco e atenção? Para Daniela, trata-se de promover o acesso a um espaço individual de tranquilidade interna e sabedoria, que acarreta, por exemplo, maior foco e atenção nas aulas e discernimento na resolução de conflitos – seja na escola ou na vida pessoal. “Quando pergunto aos alunos se alguém os ensinou a prestar atenção na aula, a resposta é não.” Nesse momento, explico que além de ajudar a direcionar a atenção, a técnica facilita pensar na melhor forma de responder e evitar arrependimentos logo depois”.

– Aumento da autoestima
Para Daniela, um dos benefícios da meditação é o aumento da autoestima dos alunos. O fato de os exercícios promoverem maior atenção pode ajudar a avaliar o que é positivo e quando a situação foge de controle. “Temos padrões mentais autodepreciativos que não trazem nada de construtivo. Com prática e tempo, os alunos descobrem como soltá-los e entendem quando dar continuidade a um pensamento ou não.”

– Criatividade e receptividade
Terapeuta holístico e autor de livros sobre desenvolvimento espiritual, Paulo defende que um dos principais benefícios da meditação é a tranquilidade do corpo e da alma, que ele desenvolve com exercícios de criatividade. “Não vamos dar o peixe pronto, mas orientar que fechem os olhos, se imaginem no fundo do mar, sentados no meio do oceano. Esse trabalho de imaginação criativa ajuda as crianças a ficarem motivadas a descobrir e aprender conteúdos como os de matemática, que passam a enxergar de forma lúdica.”

– Respeito ao planeta e ecossistema natural
Paulo explica que uma das formas de propor a meditação é explicar aos estudantes a relação entre seres humanos e o meio ambiente. “O mundo natural nos traz o remédio físico de plantas, mas também nos dá o suporte emocional de saber usar a força do leão, por exemplo, para ter coragem e autoestima. Assim, passo a admirar os animais e o meio ambiente como próximos a mim, e não algo que vou derrubar e estragar.”

Saiba mais sobre como a meditação apoia o trabalho do professor na VivescerTV